Desejo e Reparação leva sete indicações ao Globo de Ouro
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Desejo e Reparação leva sete indicações ao Globo de Ouro

Luiz Zanin Oricchio

13 de dezembro de 2007 | 15h46

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Desejo e Reparação, de Joe Wright, recebeu o maior número de indicações ao Globo de Ouro. Vi o filme em Veneza.

Atonement, best-seller de Ian McEwan adaptado pelo diretor Joe Wright, abriu o Festival de Veneza. No Brasil o livro se chama Reparação e o filme, quando for lançado no circuito comercial, ganhará o título de Desejo e Reparação. Não é mau filme, nem desagradou ao público na sessão de imprensa. Tampouco arrancou suspiros ou palmas. É convencional, mais um daqueles filmes de alma british, de época, com bons atores, história comovente e muita música adocicada.

Quem leu o romance, editado no Brasil pela Cia. das Letras, sabe que se trata de uma extraordinariamente bem escrita história de culpa e expiação, em que uma personagem acusa alguém de um crime, e, com isso, altera (para muito pior) vidas que poderiam ter sido felizes. O ponto de vista é de Briony Tallis, que será escritora, mas no começo é apenas uma pré-adolescente fantasiosa e impressionável. E que tem o mau destino de apaixonar-se pelo namorado da irmã, Cecilia (Keira Knightley). A história começa em 1935 e avança pelos anos da guerra. Na primeira parte, Wright ainda consegue alguma coisa, alternando bem os pontos de vistas diversos sobre o mesmo acontecimento, com uma câmera que observa também os complicados relacionamentos de classe na sociedade inglesa. Afinal, o amado de Cecilia, Robbie (James McAvoy), é filho de um empregado e, portanto, um intruso na classe superior da qual tanto Cecilia como Briony fazem parte.

Na segunda parte, no entanto, Wright decide afundar-se de vez no melodrama. A história sofre com a fotogenia buscada a qualquer custo, aquele registro típico dos “filmes de arte à Hollywood”. Desejo e Reparação é aquele filme de prestígio escolhido a dedo para abrir uma mostra que acende uma vela a Deus e outra ao Diabo. É uma boa coluna do meio, para ser visto em noite de gala, com os homens de smoking e as mulheres de Chanel. Enjoado e sem vibração.

Os principais integrantes da troupe de Reparação, elenco e diretor, compareceram ao Lido. Entrevista concorrida, como costuma acontecer na Itália com os representantes anglo-saxões. Foi uma entrevista fraca, em consonância com esse filme de pouco tônus para uma mostra como a de Veneza.

Quando lhe questionaram sobre suas opções estéticas um tanto antiquadas, Wright se limitou a responder que não lhe interessava ser moderno, mas apenas fiel ao livro de McEwan. Livro, aliás, que ele confessou não ter lido quando lhe propuseram o projeto. Respondendo a outra pergunta, Wright admitiu não fazer nem um pouco o tipo intelectual; se disse disléxico e pouco dado a leituras.

Vanessa Redgrave, que encarna a escritora na velhice, disse que o mais importante da história era a dimensão da culpa, “de que não se pode voltar atrás nas conseqüências de um ato em que prejudicamos alguém de maneira séria”. Portanto, é preciso tomar cuidado com o que fazemos aos outros, recomendação de bom senso, que todos partilhamos sem necessidade de ir ao cinema para saber. Em todo caso, o diretor vislumbra na história “a possibilidade de encontrar na arte uma via possível de redenção”. Essa saída apaziguante se encontra mais na maneira como a história é contada na adaptação do que no livro.

A música, de Dario Marianelli, que constrói sua trilha melosa sobre o ritmo de uma máquina de escrever, daí partindo para variações, foi eleita, segundo Wright, como espinha dorsal da narrativa, mas introduz uma dosagem de açúcar pouco saudável.

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