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Desejo antecipado

Luiz Zanin Oricchio

03 de março de 2010 | 14h44

É um fenômeno comum no mundo do cinema e caracteriza os grandes sucessos – a existência de um desejo antecipado de ver o filme, que faz com que as pessoas marquem ingressos com antecedência para ver na primeira sessão disponível, antes de todo mundo. Quem não vê, está por fora. Os grandes blockbusters são assim, os do tipo Homem-Aranha e outros bichos. Dispensam publicidade (mas mesmo assim vêm cercado de amplas campanhas) e são imunes a críticas negativas. Existem, e, pelo simples fato de existirem, já despertam a libido de uma legião de fãs.

Hoje mesmo fui vítima de uma premência psicológica desse tipo: fui à sessão de imprensa do novo filme do Scorsese e dei com a porta na cara. Não havia ninguém no cinema. Tudo às escuras. Quer dizer, ninguém não: havia mais alguns críticos que, como eu, talvez contagiados pelo desejo de ver A Ilha do Medo, leram errado o e-mail da assessoria de imprensa. Chegando ao jornal, ainda dei uma conferida no correio eletrônico. A sessão da imprensa de fato está marcada para quarta-feira que vem e não para hoje.

A vontade de ver o novo filme de Scorsese me induziu ao erro. Produziu o mesmo efeito em vários colegas. Fomos vítimas de uma ilusão coletiva, provacada por nossa libido cinematográfica.

Scorsese é o nosso Homem-Aranha.

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