Desaparecidos
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Desaparecidos

Luiz Zanin Oricchio

14 de dezembro de 2011 | 19h59

 

O filme já anda sendo chamado de A Bruxa de Blair nacional. Tem suas relações. Assim como o pseudodocumentário de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, Desaparecidos, de David Schurmann, tem aspecto deliberadamente tosco, de vídeo caseiro. A trama, por sua vez, é de horror juvenil, potencial receita de sucesso. Mas Schurmann reivindica uma originalidade no projeto de produção. A tal festa em Ilhabela, para a qual seis jovens protagonistas teriam sido convidados, teve convite de fato divulgado no Facebook por perfis falsos. Os atores levam no pescoço uma câmera pendurada, e seriam elas que teriam captado as imagens, depois montadas, etc.

Enfim, um cruzamento entre o cinema jovem e os reality show, com sua aura de “verdade”, sendo que ninguém desconhece o fato de que nada ali é verdadeiro. Tudo é jogo e representação, mas finge-se que é real, o que também pode servir como uma boa definição de arte séria, só que, no caso, não se trata bem disso. Acredita-se apenas que o espectador peça cada vez mais que o enganem. Não se sabe se quem nisso crê esteja totalmente errado.

Há um outro ponto importante no projeto. A ideia, esta sim bem interessante, de que tudo aquilo que se planta na internet passa por real. A geração Y não se questiona nem põe em dúvida aquilo que pesca na rede. O virtual é o real e vice-versa. Há, então, esse ponto inicial, que daria certo interesse ao projeto já que poucas discussões hoje parecem tão urgentes quanto a desse namoro letal com o mundo do simulacro, como diria Baudrillard. Isso, claro, compreende não só as conversinhas pelas redes, mas o uso viral para fins de publicidade.

Mesmo levando tudo isso em conta, ainda fica difícil aceitar a dramaturgia proposta, composta de gritos e caretas em tempo quase integral. O ponto de vista é sempre o dos jovens (com exceção óbvia do final) e sua aventura por uma Ilhabela noturna. Eles vão para a tal festa, e, alguns deles, resolvem dar uma espairecida numa cachoeira dos arredores, até que… bem isso fica para quem resolver se aventurar pelo longa. Porque é uma aventura mesmo.

(Caderno 2)

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