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Debates: mais do mesmo

Luiz Zanin Oricchio

26 Janeiro 2007 | 18h09

Acabamos de participar de um debate no Festival de Tiradentes. Na mesa, Pedro Butcher, Inácio Araújo, Merten e eu, mais a Rosário como mediadora. A proposta era debater as questões da representação no cinema brasileiro contemporâneo. Ou seja, como o cinema elege sua linguagem, sua estética, para falar do país. Acabamos discutindo o de sempre: os impasses econômicos do cinema brasileiro. Subsidiado, tendo de viver de incentivos fiscais e com a sombra ameaçadora da Globo Filmes, a ditar sua linha de conduta para o mercado e sua concepção estética. Seminário após seminário, caímos no mesmo, para não dizer na mesmice. Como sair desse impasse? A discussão econômica é importante, ninguém nega. Mas, primeiro, ela tem de ser politizada, e não é. Falamos da hegemonia da Globo como se fosse um fenômeno natural, um act of God. Segundo, a premência da economia não pode colocar sempre em segundo plano a discussão estética. Senão, será melhor chamar gente do ramo, economistas e administradores de empresa, e não críticos de cinema.