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De volta…sem ter ido

Luiz Zanin Oricchio

01 de abril de 2008 | 10h15

Amanhã acaba a moleza e volto ao trabalho. Saio daqui a pouco da Serra do Japi, vou a Santos ver o jogo pela Libertadores e amanhã bato ponto no jornal. Foram boas férias, repousantes, embora aconteça o seguinte: com a tecnologia, que nos quebra tantos galhos, nunca estamos totalmente desplugados da vida. Para o bem e para o mal. Chegam as informações que nos alimentam, mas eventualmente nos afligem; chegam também os problemas. Nunca descansamos por completo, nunca relaxamos de fato, nunca abdicamos de nossa condição de “profissionais”.

Não é uma queixa. Apenas uma constatação. Acho – sem qualquer paranóia – que isso faz parte exatamente do “projeto” para o homem contemporâneo. Um estado de trabalho contínuo, embora com fases distintas, ainda. A tecnologia, que alguns crédulos achavam fosse aumentar o tempo de lazer, possibilitou, pelo contrário, um estado de trabalho permanente. Momentos outrora “mortos”, como a espera em aeroportos, por exemplo, são usados para checar e-mails e resolver problemas. O sábado já virou dia útil, pelo menos em cidades como São Paulo. Durante as férias, andamos conectados, com notebook e celular, vamos fazendo uma coisinha aqui, outra ali, e deixamos o mundo do trabalho, com suas virtudes e contrariedades, nos invadir. Cada vez há menos espaço para o ócio, para o silêncio, para o grande mergulho em si.

Assim é. Mas não é necessário que assim seja.

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