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De perto ninguém é normal

Luiz Zanin Oricchio

31 Janeiro 2007 | 21h01

Vi hoje em cabine de imprensa Pecados Íntimos, cujo título em português é mais uma contribuição criativa dos nossos tradutores à história do cinema. O original é Little Children, e tem lá sua razão de ser, como se verá. Detalhes à parte, me impressionou muito bem o filme de Todd Field sobre uma idílica cidadezinha americana. Casais perfeitos, filhos maravilhosos e uma nota dissonante entre eles – a presença de um pervertido, acusado de molestar crianças e que foi libertado há pouco. Mas, como diz Caetano Veloso, ninguém, visto de perto, é normal. Assim, esses seres ideais se mostram, digamos, longe da perfeição. Atravessando as relações, as exigências da sexualidade. E, no fundo, o desamparo de todos nós. Somos como criancinhas em busca de um pouco de amor, amparo e aprovação. Não gostamos de nos responsabilizar por nossos atos. Daí o título original – Criancinhas. Voz em off narrando, o que dá um certo distanciamento, boas atuações de conjunto (Kate Winslet, Jennifer Connely, Patrick Wilson, etc.) e uma veia corrosiva que, pena, se atenua no final, fazem deste filme um destaque entre os concorrentes ao Oscar. Disputa três estatuetas: atriz (Kate Winslet), ator coadjuvante (Jackie Earle Haley) e roteiro adaptado.