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De Columbine a Realengo

Luiz Zanin Oricchio

07 Abril 2011 | 14h14

Como todo o país, estou chocado com a tragédia de Realengo. Os desvãos da mente são insondáveis. Mas acho que podemos nos fazer algumas perguntas, embora não tenhamos respostas à vista.

Acho que a primeira dessas perguntas é: de onde vieram as armas com as quais esse psicopata assassinou as crianças? Lembro disso porque o mesmo país agora enlutado já se pronunciou a favor do porte legal de armas de fogo. Não seria hora de rever conceitos? Pelo menos de repensá-los?

Enfim, com esse triste acontecimento nos aproximamos de crimes semelhantes que ocorrem volta e meia nos Estados Unidos. Um deles ficou famoso, quando dois jovens mataram 13 colegas e um professor na Columbine High School, em 1999, suicidando-se em seguida.

Os crimes de Jefferson, condado do Colarado, deram origem a dois filmes: o documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, que busca as raízes da tragédia em uma série de fatores. Do culto às armas à tradição belicista do seu país, dois fatos obviamente interligados. O filme ganhou o Oscar de documentário em 2002.

No ano seguinte, Gus Vant Sant procura recriar a tragédia sob formato ficcional. Elefante, com seu retrato da competitividade pouco sadia do ambiente escolar, bullying, ressentimentos e vingança, venceu o Festival de Cannes de 2003. É uma obra inquietante, que nos oferece mais questões do que soluções.

São dois excelentes filmes, a rever neste momento de dor. Fazem pensar.