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Dá para não gostar do Wando?

Luiz Zanin Oricchio

09 de fevereiro de 2012 | 09h55

 

A morte de qualquer ser humano nos comove, nos enche de piedade (e, por que não dizer?, de temor). Mas tirando esse aspecto humanitário, devemos, por isso, mistificar obras que não admiramos?

Digo isso depois de ter escutado na Rádio Bandeirantes, pela manhã, uma espécie de desabafo dos locutores,  afirmando que deveríamos respeitar todo mundo que faz sucesso, sem qualquer crítica. Porque, se eles têm êxito, se dizem alguma coisa a milhões de pessoas, é porque têm alguma coisa diferente. Ninguém faz sucesso por acaso. E Wando fez sucesso, como outros fizeram e fazem.

Isso faz com que a obra deles tenha qualidade intrínseca? Não sei. Sei que a fala dos radialistas me parece típica de certo antiintelectualismo à brasileira. Segundo esse “filosofia”, se alguém fala mal da obra de quem vende muito, o faz por despeito. Ou porque, na infeliz (mas muito boa) frase de Tom Jobim, no Brasil não se perdoa o sucesso. Dessa maneira, os críticos são considerados chatos, ou recalcados, ou uma elite intelectual, dona do juízo estético da humanidade.

Já pensaram se fôssemos nos pautar por esse tipo de opinião mediana? Bastou ter sucesso e pronto. O Tiririca seria o máximo. O BBB, o melhor programa do mundo. O Faustão, um gênio. Os maiores sucessos do cinema brasileiro atual, as comédias televisivas, todas obras primas, porque mimetizam a estética da emissora de maior audiência (e portanto a melhor emissora). Os filmões de Hollywood, com seus astros e estrelas mirabolantes, seriam verdadeiros pilares da cultura ocidental, e assim por diante.

Será que esse tipo de populismo acrítico resolve tudo e responde a todas as questões? Fez sucesso, acabou, não se discute?

A resposta é sua, leitor.

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