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Curta nouvelle vague

Luiz Zanin Oricchio

30 de maio de 2010 | 14h37

São nove curtas-metragens muito diferentes entre si. Mas talvez encontrem um denominador comum no desejo explícito de inovar, algo típico daquela época. A maior parte deles, situa-se entre os anos 1957 e 1958, época da formação da nouvelle vague, quando o movimento se cozinhava numa vaga insatisfação com o cinema que se fazia então e uma indefinição em relação ao futuro. Três exceções: 24 Heures de la Vie d’um Clown, de Jean-Pierre Melville, é de 1946. L’Amour Existe (O Amor Existe), de Maurice Pialat, é de 1961. E Le Laboratoire de l’Angoisse (O Laboratório da Angústia), é ainda posterior, de 1971.

Qualidade à parte, o maior interesse histórico dessa coleção reside nesses filmes feitos nas vésperas da eclosão da nouvelle vague. Há dois de Godard: Tous les Garçons s’Appellent Patrick (Todos os Rapazes se Chamam Patrick), de 1957, e Charlotte et son Jules (Charlotte e seu Namorado), de 1958. São dois trabalhos de muito frescor. Fazem antever o cineasta que, dois anos depois, ficaria célebre com seu primeiro longa, Acossado, de 1960. São histórias de relacionamentos amorosos. No primeiro, o mesmo conquistador (Jean-Claude Brialy) paquera duas moças na mesma manhã sem saber que elas são amigas e moram juntas. No segundo, um tipo valentão (Jean-Paul Belmondo) passa uma descompostura na garota que mora com ele, numa espécie de monólogo cheio de graça e irreverência. Quem conhece bem o cinema francês estranha a voz de Belmondo. Mas, ao mesmo tempo, reconhece como familiar a voz que sai da boca do ator: é que Belmondo não estava em Paris na época da dublagem e teve de ser substituído pelo próprio Godard. Quando não havia recursos, se improvisava.

Em Une Histoire d’Eau (Uma História de Água), Godard e Truffaut assinam juntos a direção. Usando como pretexto uma inundação na região parisiense, contam a historia de uma garota que tenta chegar a Paris e se envolve com o rapaz que lhe dá uma carona. A criatividade dos cineastas faz com que aproveitem um fato, dando-lhe tratamento documental e, ao mesmo tempo, nele insiram uma trama ficcional.

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