Cuba perde dois importantes cineastas
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Cuba perde dois importantes cineastas

No intervalo de uma semana, morreram Enrique Piñeda Barnet (A Bela da Alhambra) e Juan Carlos Tabío (Plaff e Morango e Chocolate)

Luiz Zanin Oricchio

18 de janeiro de 2021 | 13h30

Cartaz de La Bella de la Alhambra, de Enrique Pineda Barnet

Em menos de uma semana foram-se Enrique Pineda Barnet e Juan Carlos Tabío, dois dos mais importantes diretores de cinema de Cuba. 

Enrique Pineda Barnet (1933-2021) morreu dia 12 aos 87 anos. É autor de obra extensa, na qual se destaca La Bella de la Alhambra (1987), um dos clássicos do cinema cubano. Barnet foi também escritor e roteirista. É um dos autores do roteiro do soviético Soy Cuba (1963), de Mikhail Kalatozov. 

Esse filme ambientado em Cuba é meio problemático do ponto de vista estético, pois parecia difícil ao olhar eslavo captar o espírito caribenho. No entanto, é belíssimo. Martin Scorsese é entusiasta da obra. Soy Cuba tem um dos planos-sequência mais impressionantes de toda a cinematografia mundial. Ao acompanhar, ao longo de vários minutos, um cortejo fúnebre com grande público, a câmera se desloca pelo alto, entre os edifícios de Havana; entra por uma janela em uma fábrica de charutos e sai por outra, sem perder a imagem da manifestação de rua…Impressionante. 

Em 2006, o brasileiro Vicente Ferraz lançou seu Soy Cuba – o Mamute Siberiano, documentário sobre esse filme hoje um tanto esquecido. Como participante do projeto e um dos seus autores, Pineda Barnet é um dos mais importantes depoentes do longa brasileiro.

Juan Carlos Tabío (1943-2021) morreu ontem aos 78 anos. Quem nos informou foi o cineasta brasileiro Sérgio Muniz que, por sua vez, foi avisado por Ivan Giroud, diretor do Festival de Cinema de Havana. Entre nós, Tabío ficou mais conhecido como co-diretor de Morango e Chocolate e Guantanamera – os dois últimos trabalhos do maior diretor de cinema da ilha, Tomás Gutiérrez Alea (1928-1996). Morango e Chocolate, em particular, fez sucesso mundial, de público e crítica. Libelo humanístico contra a homofobia, ganhou um prêmio especial do júri em Berlim e foi lançado numa infinidade de países. No Brasil, venceu o Festival de Gramado em 1994. É o maior êxito do cinema cubano no exterior em toda a história. 

Em sua carreira solo, Tabío é autor de filmes engenhosos, como Plaff e O Corno da Abundância, que já passaram no Brasil em mostras de cinema.