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Cronistas 2 e as saudades de Zé Lins

Luiz Zanin Oricchio

17 Maio 2007 | 13h15

Amigos, por acaso recebi hoje um livrinho intitulado O Melhor da Crônica Brasileira (José Olympio Editora). Não chega a ser uma antologia, é apenas um apanhado da obra de quatro cronistas: Ferreira Gullar, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e Luis Fernando Verissimo. Dei uma folheada rápida e lembrei de como Zé Lins é um escritor magnífico, eu que tenho Fogo Morto e Menino de Engenho como dois romances muito queridos.

Coloco um parêntese para dizer que há um documentário recente muito bonito sobre o escritor, O Engenho de Zé Lins, dirigido pelo também paraibano Vladimir Carvalho.

Li a crônica “Nordestinos” e conferi Zé Lins em pleno exercício da saudade. Segue um trechinho:

“Vim encontrar a Paraíba em paz, com as praias ainda com veranistas de pijama à sombra dos coqueirais ,e alguns engenhos a moer as últimas canas da safra que a cheia do rio brabo comera pela metade. Mesmo assim, sobrou-me o Itapuá, moendo o bastante para contentar as minhas saudades de ‘menino de engenho’.

O cheiro da bagaceira, a fumaça doce da ‘casa das caldeiras’, o gemer dos carros de boi, deram-me um tempo perdido em corpo inteiro. Senti-me do passado, dos tempos do meu avô, como se fosse o Dedé do moleque Ricardo. E assim a vida do quarentão meio murcho recobrou o viço dos dias de novilho solto, de canga e corda”.

Não é bonito?