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Crise: em casa, sem luz, com Bergman

Luiz Zanin Oricchio

04 Fevereiro 2010 | 08h36

Chego à noite em casa. Não há luz. Alguns andares a pé e… o que fazer? O que é do homem contemporâneo sem eletricidade? Então me lembrei do laptop e de sua bateria. Poderia ver um filme. Tinha um Bergman recém-recebido: Crise. Na verdade, o primeiro Bergman, de 1948. Um filme antiquado, se o termo cabe. Narração em off, contando da vida numa pequena cidade do interior sueco, no qual vive uma moça com a pessoa que a criou. Até que chega a mãe verdadeira e leva a garota para a cidade grande, onde ela se apaixona por um tipo estranho, que é também amante da mãe, etc. O desfecho é um tanto conservador, mostrando a oposição entre a vida estável no campo e as perdições da cidade. Começa e termina com uma narração em off, tradicional também. Ok, o filme é de 1948, mas Kane é de 1941!

À luz de vela, busco um livro de entrevistas com Bergman. Quero ver o que diz do filme. É horrível!, diz. O crítico que o entrevista tenta argumentar, mas o diretor é implacável: tudo é horrível, nele!

Bem, Crise não é horrível, a meu ver. Apenas muito quadrado, em se tratando de uma mente como a de Bergman. Em todo caso, ele tem um miolo de estranheza que vale a pena considerar mais a fundo. Esse miolo se deposita no personagem de Jack, o tal tipo de por quem a mocinha se engraça até que…bem vejam o filme. Ele acaba de sair pelo selo Versátil.E a cópia está excelente, como de hábito.