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Crise de valores ou de linguagem?

Luiz Zanin Oricchio

04 de setembro de 2007 | 07h58

VENEZA – Essa falta de originalidade de O Doce e o Amargo ilustra uma discussão paralela ao festival, e que está correndo nas páginas de dois dos mais importantes jornais do país – o Corriere della Sera e o La Repubblica. Discute-se o que está acontecendo com o cinema italiano e por que motivo (s) ele não consegue mais refletir, com tanto brilho, a vida do país, como o fez em tempos passados.

Há duas teorias em jogo: a primeira diz que isso se deve a uma crise de valores sem precedentes; o cinema, assim como toda a sociedade, estaria sem parâmetros para refletir e por isso se sentiria perdido.

A outra: crise de valores houve muitas outras vezes na história recente e nem por isso o cinema se sentiu impotente, como agora. O que estaria acontecendo seria mais uma crise da linguagem cinematográfica do que dos valores. Esgotado, o cinema não estaria encontrando meios para exprimir a perplexidade diante de um mundo que não se compreende. O mundo está aí – ele precisa apenas de intérpretes.

Abordo essa discussão porque, em outros termos, ela me parece ter muito a dizer sobre o que também se passa no Brasil – e, entre nós, isso sequer está sendo trazido à luz.

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