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Costa-Gavras dá início ao Festival de Recife (Cine-PE)

Luiz Zanin Oricchio

27 de abril de 2009 | 15h51

Com a presença do diretor franco-grego Constantin Costa-Gavras, o Cine-PE dá início hoje à noite à sua 13ª edição. Emblema mundial do cinema político, Costa-Gavras apresenta em Recife seu novo filme, Eden à L?Ouest. Fiel aos temas engajados, Costa-Gavras traz sua visão particular de um difícil problema contemporâneo, o da imigração na Europa. Costa-Gavras, autor de grandes sucessos do cinema político, como Z, Estado de Sítio e Missing tinha chegada ao País prevista para ontem. Já manifestou desejo de se encontrar com o escritor Ariano Suassuna, de quem se diz admirador. São duas personalidades ligadas à resistência em tempos globalizados e terão muito sobre o que conversar.

Além da presença de Costa-Gavras, que deverá ser dominante durante o evento, o Cine PE preparou uma, em tese, interessante relação de atrações para sua mostra competitiva de longas-metragens. O primeiro concorrente, Mysteros, de Pedro Merege e Beto Carminatti (PR), será apresentado amanhã no sempre lotado Cine Teatro Guararapes.

Na quarta, será a vez do representante paulista – o documentário Um Homem de Moral, de Ricardo Dias. Quem conhece um pouco de samba já adivinhou, pelo título, quem é o personagem do filme: ninguém menos que o zoólogo e compositor Paulo Vanzolini, autor de sucessos como Ronda e Volta por Cima – justamente o samba que afirma que “Homem de moral/Não fica no chão/Nem quer que mulher/Lhe venha dar a mão..”, etc. Vanzolini, 85 anos muitíssimo bem vividos, já confirmou presença no festival do Recife.

Que não para por aí e ainda tem Praça Saens Peña, de Vinicius Reis (RJ), Alô, Alô, Terezinha, de Nelson Hoineff (RJ) e Estranhos, de Paulo Alcântara (BA) completando a mostra de longas. No domingo serão distribuídos os prêmios em cerimônia precedida da exibição, fora de concurso, de O Homem que Engarrafava Nuvens, do pernambucano Lírio Ferreira.

Há um interessante foco, talvez involuntário, na seleção de longas-metragens. Mostra uma certa tendência do cinema documental brasileiro – a opção pela música. Competindo, aparece Vanzolini, caso único do sambista que se dedicou à zoologia, ou vice-versa. Encerrando a mostra, O Homem que Engarrafava Nuvens presta homenagem a Humberto Teixeira. Homem de sete instrumentos, Teixeira foi advogado, deputado, criador de leis de direito autoral, além de compositor de baiões, o mais famoso deles o clássico Asa Branca. Por via transversa, entra nessa relação Alô, Alô Teresinha, dedicado a Abelardo Chacrinha Barbosa, o homem que veio não para explicar, mas para confundir. A Tropicália deve muito a ele.

(Caderno 2, 27/4/09)