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Corinthians: a melhor surpresa

Luiz Zanin Oricchio

23 Maio 2007 | 09h46

Amigos, minha coluna no Esportes do Estadão de terça-feira:

São seis os times com aproveitamento 100% até agora – Atlético-PR, Paraná, Corinthians, Palmeiras, Vasco e Botafogo, do 1º ao 6 º lugar, nessa ordem. Mas a melhor surpresa é o Corinthians. Por quê? Porque ninguém dava nada por ele, era time tido sem pretensões a coisa nenhuma neste campeonato e, pior, candidato a lutar contra o rebaixamento. O Corinthians chamou um técnico em que pouca gente botava fé, Paulo César Carpegiani, dispensou um medalhão como Roger e depositou confiança em um time de garotos. Resultado: dois jogos, duas vitórias, a de domingo nada menos do que brilhantes 3 a 0 no Cruzeiro, e em pleno Mineirão.

Um corintiano ao meu lado já fala em ‘projeto Tóquio’. Um são-paulino ri e diz que a hora é a dos cavalos paraguaios, que disparam no começo do campeonato e perdem fôlego logo em seguida. Quem estará com a razão?

Descontados o entusiasmo do torcedor e a ironia do rival, acho que dá para pensar num meio-termo interessante: o Corinthians obviamente não tem um esquadrão, muito pelo contrário, e nem mesmo esse bom início pode ser considerado como uma conquista estável. Precisaremos ver se mantém o ritmo. Mas que está jogando direitinho, lá isso está. Nem parece aquele time desanimado do ano passado, com jogadores indolentes, passeando seu tédio pelo campo de jogo. Não, o que se vê agora é, pelo menos, gente com orgulho de vestir a camisa do Timão. Indo atrás da bola como quem vai atrás de um prato de comida, como dizia o filósofo Neném Prancha.

Vamos falar como torcedores que somos? Nada irrita mais a galera do que jogador fazendo corpo mole. Como se fizesse um favor em vestir a camisa que amamos. Como essa se tornou uma mentalidade quase dominante entre os nossos atletas, acho que o Corinthians encontrou a boa saída, um time de meninos, a maior parte deles vinda da base, querendo ganhar nome e fama. Esses garotos, quando beijam o escudo do time não estão fazendo figuração para a arquibancada. Ou para a TV. Gostam e honram a camisa que vestem.

Foi esta a saída encontrada pelo Santos em 2002, quando lançou a geração Diego & Robinho. Deve ser a solução mais viável para um futebol que, ao adotar o modelo de exportação selvagem, fragilizou demais a relação dos jogadores com o clube, que passou a ser considerado mera vitrine para um pulo mais alto. Pelo menos, enquanto eles são meninos ainda jogam com o coração. E com hormônios.

Corinthians 3 x Cruzeiro 0 foi o melhor jogo a que assisti neste fim de semana. E o melhor que vi da Libertadores, até agora, foi Boca Juniors 1 x Libertad 1, no qual os jogadores se entregaram como se suas vidas dependessem daquele resultado. Quando o jogador está entediado, o jogo dá sono. Quando ele se entrega e se emociona, a torcida vai com ele.

VIVA O BAIXINHO

O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu um texto definitivo sobre o milésimo gol de Pelé: ‘Difícil não é marcar mil gols, como Pelé; difícil é marcar um gol como Pelé.’ Encerrada a novela Romário, o que se pode dizer é que, contas polêmicas à parte, o feito tem valor simbólico que coroa a carreira de um dos maiores atacantes do futebol brasileiro. Para festejar, a Globo passou uma seleta de 11 fabulosos gol do Baixinho, comemorados pelos inúmeros times onde atuou. Quanta técnica, quanta sabedoria futebolística e malícia! Não seria heresia tomar emprestada a frase de Drummond e aplicá-la agora a ele. Um gol de Romário. Gol com assinatura de gênio.