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Conversas com Luc Besson

Luiz Zanin Oricchio

19 Março 2007 | 20h57

Li no blog do Merten (Luiz Carlos Merten, aqui mesmo, neste portal) que ele lamenta ter perdido a chance de entrevistar o diretor e produtor francês Luc Besson, que está de passagem por São Paulo. Eu ri sozinho, porque meu colega já realizou centenas de entrevistas mas, por coincidência, o mesmo destino que o afastou de Besson se encarregou de me aproximar dele. Durante um espaço de tempo relativamente curto, conversei com o francês nada menos de três vezes. Uma vez no exterior, não me lembro em que festival, e duas em São Paulo, no Hotel Macksoud Plaza, onde ele se hospedava. E, quer saber? A experiência, que poderia ter sido desagradável, tornou-se estimulante. Explico por quê.

Não tenho a mais remota afinidade com o cinema que Besson faz. E resolvi deixar isso mais ou menos claro, e logo de saída, o que é um risco para o entrevistador. Para minha surpresa, com essa posição sincera, as entrevistas, ao invés de se inviabilizarem, viraram conversas francas, às vezes ácidas, e bastante divertidas. Provocado, Besson mostrou que poderia ser bem-humorado e interessante. Pelo menos bem mais do que quando levado a sério. Quando lançava seu O Quinto Elemento, me disse que, apesar de jovem, logo pararia de fazer filmes (j’en ai marre…)Não tinha mais saco para o ritual dos lançamentos.

E quando lhe perguntei se não pretendia, depois de ter feito tantas concessões comerciais, encerrar a carreira com um “filme de arte” (e usei a expressão porque sei que pessoas como Besson a detestam), ele me respondeu, no reflexo: “Está certo, vou fazer um filme em preto-e-branco, bem chato, e perder um monte de dinheiro, só para contentar críticos como você e ser elogiado pela Cahiers du Cinéma e pela Positif.”

Pelo menos se pode dizer que o Besson que conheci tinha espírito democrático, mais do que muito “artista” que conheço.