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Construção de personagem

Luiz Zanin Oricchio

16 de julho de 2008 | 13h22

Subi no metrô e sentei-me a ao lado de um desses tipos folgados, que se sentam de pernas abertas como se tivessem pagado duas passagens. Dei um chega prá lá na fera (calma, foi numa boa) e consegui um certo espaço vital para me acomodar. Quem era o tipo ao meu lado? Um grosseirão? Desses que nem ligam se estão incomodando o seu próximo num espaço público? É claro que sim.

No entanto, na estação seguinte subiu uma mulher e o suposto troglodita levantou-se para lhe dar lugar. A mulher perguntou: “Mas o senhor vai descer?” Ele disse que sim. Mas era mentira. Afastou-se para o outro lado do vagão apenas para que a mulher não percebesse que ele havia lhe feito um favor. Quem é esse cara? Um sujeito gentil e preocupado com o bem-estar do seu próximo? É claro que sim.

Poucas vezes se vêem sutilezas de comportamento simples como essas em filmes ou romances contemporâneos. Acho que roteiristas, cineastas e romancistas deveriam andar mais pelas ruas. Passar a vida em frente a uma tela de computador produz personagens chapados e estereotipados.

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