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Conselhos de Michel Ciment aos entrevistadores

Luiz Zanin Oricchio

08 de novembro de 2010 | 13h50

Durante a Mostra, participei de uma conversa com o crítico francês Michel Ciment, da revista Positif. Ciment, para quem não sabe, é um dos críticos de maior prestígio na França. Além de crítico, é entrevistador de mão cheia, com vários livros de entrevistas publicados. Sabe como conduzir uma conversa, que é a arte da entrevista.

Vocês sabem também que essa arte foi banalizada a ponto de se transformar na linha de montagem das junkets, em que as “celebridades” ou “talents”, como dizem os americanos, reúnem-se em grupos de alguns jornalistas para que todos possam fingir que estão realizando entrevistas individuais. Fazem isso por horas a fio, o dia inteiro.Os jornalistas fazem sempre as mesmas perguntas e ouvem sempre as mesmas respostas.

Entrevista bem-feita é outra coisa. Exige horas de convívio, preparação, conhecimento e inteligência de parte a parte.

Ciment deu três conselhos aos candidatos a entrevistadores.

1)      Prepare-se corretamente para a entrevista. Leia bastante material sobre o entrevistado, veja os seus filmes e, se já os conhecer, reveja. Quando o entrevistado percebe que o entrevistador é familiarizado com seu universo, tudo começa a fluir melhor. Pense nas perguntas que gostaria de fazer. Não deixe tudo por conta do improviso. Quando se está preparado, até o improviso funciona melhor.

2)      Não faça perguntas muito extensas, para exibir seu conhecimento. As perguntas devem ser simples e diretas. Quando muito extensas e detalhadas, as perguntas já contêm nelas a sua própria resposta. Ou seja, o entrevistado torna-se dispensável.

3)       Não se apresse em preencher com suas palavras o silêncio do entrevistado. É após o silêncio que, em geral, vêm as respostas mais interessantes.

Segundo a minha própria experiência, esses são excelentes conselhos. Hoje em dia se entrevista de qualquer jeito. Qualquer conversa de cinco minutos por telefone é considerada uma entrevista. Enfim, essa técnica do jornalismo banalizou-se ao ponto de se tornar moribunda.

Revive quando um grande entrevistador encontra um entrevistado inteligente, com coisas  a dizer e com boa vontade para esse trabalho conjunto.

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