As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Conheci Fisin no Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio

25 de setembro de 2009 | 10h22

Conheci Luis García Gutiérrez, o Fisin, em Fortaleza, durante o Cine Ceará. Ficou faltando esta informação ao perfil que fiz do “homem que mudou a cara do Che Guevara”. Trazer Fisin ao Brasil foi uma bela tacada do diretor do festival, Wolney Oliveira, que estudou em Cuba e mantém laços, inclusive familiares, com o país.

Eu nunca tinha ouvido falar em Gutiérrez – e já havia lido várias biografias de Guevara, incluída aquela que é considerada a melhor, a de Jon Lee Anderson, além de ter visto vários filmes sobre o guerrilheiro e lido tudo o que fora possível sobre ele.

Mas não espanta que nem eu e nem ninguém conhecesse Fisin, pois ele havia ficado na moita até há pouco, quando abriu o jogo e contou em livro de memórias, apenas editado em Cuba, suas atividades durante a guerra fria. Era homem do Partido e da parte secreta do Partido. Por isso conhecia as técnicas de disfarce e foi escolhido para trabalhar no rosto do Che quando este teve de voltar da fracassada guerrilha na África e, depois, ingressar na Bolívia, onde deixou os ossos. Fisin conta que era um dos dez homens no mundo que conhecia o paradeiro do Che naquela época. A CIA andava louca atrás dele e não tinha a menor ideia de onde estava.

Contei tudo isso no perfil, mas, por falta de espaço (e mesmo assim acharam a matéria grande demais no jornal) deixei de mencionar quem tivera a iniciativa de trazer o dentista, de 91 anos, ao Brasil. Ou seja, falei do milagre mas não citei o santo.

Feito o reparo, acrescento uma informação a esta nota: Margarita Hernández, mulher de Wolney, cubana residente no Brasil e cineasta, está fazendo um filme com Fisin. Deve ser sensacional, porque o homem é um manancial sem fim de histórias incríveis.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.