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Como era gostoso o cinema italiano

Luiz Zanin Oricchio

31 de outubro de 2006 | 22h28

Saí de uma sessão dupla – Giordano Bruno, de Giuliano Montaldo e La Cina è Vicina, de Marco Bellocchio, ambos filmes dos anos 60-70. Uau!, como era bom o cinema italiano daquela época. Os diretores, além de pensar sempre politicamente, e com muita clareza, tinham na mão o domínio do artesanato. Sabiam fazer a coisa certa. Montaldo usa a figura de Bruno (Gian Maria Volontè), queimado como herege pela Inquisição, para falar da intolerância em qualquer época. Bellocchio, com sua farsa na qual dois ricaços (irmão e irmã) tentam enrolar dois pequenos burgueses, e saem enrolados por estes, fala muito da Itália arrivista, coisificada, que perde sua alma depois da Segunda Guerra.

Para mim, assistir a alguns desses filmes que não via há muito tempo, ou conhecer outros, como este La Cina è Vicina (A China Fica Perto), está sendo a maior recompensa para toda a maratona estressante da Mostra. A Itália fez talvez o melhor cinema do mundo naquela época. Por isso, a herança é sentida muitas vezes como um peso pelos cineastas mais jovens. É que a comparação, inevitável, se torna muito ingrata. Tenho observado isso quando cubro o Festival de Veneza. Por melhores que sejam os filmes do país, sempre aparece alguém para dizer que os antigos eram melhores. E o pior é que eram mesmo. E nem estamos falando em Fellini, Visconti e Antonioni, esses monstros sagrados.

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