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Começa o Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio

24 de junho de 2010 | 08h52

Amigos, estou embarcando para Fortaleza, onde vou, mais uma vez, cobrir o Cine Ceará. Abaixo, a matéria de apresentação que escrevi no Caderno 2 de hoje. Mando notícias de lá, inclusive da Copa, que continua a rolar, apesar de o cinema cobrar também seus direitos.

Em sua 20.ª edição, que começa nesta quinta, 24, à noite, em Fortaleza, com a exibição de Do Amor e Outros Demônios em première mundial, o Cine Ceará mantém-se no formato ibero-americano. “Essa fórmula veio para ficar”, diz seu diretor, o cineasta Wolney Oliveira. Não apenas porque se tornou importante via de divulgação da cultura cinematográfica da América Latina e da Europa ibérica no Brasil, mas pelas próprias raízes do diretor, pois Wolney é formado pela tradicional Escuela de Cine y TV de San Antonio de los Baños, que fica nas cercanias de Havana, em Cuba.

Essa opção pelos ibero-americanos garante ao Cine Ceará diversidade de filmes e ineditismo da maioria deles, desafio constante dos festivais brasileiros, em geral condenados a repetir títulos que já participaram antes de outros eventos do gênero, o que diminui seu interesse. Em Fortaleza, dos oito longas-metragens em concurso, cinco são completamente inéditos no Brasil. O filme de abertura, Do Amor e Outros Demônios, dirigido por Hilda Hidalgo, coprodução entre Costa Rica e Colômbia baseada na obra de Gabriel García Márquez, tem estreia mundial em Fortaleza. Serão vistos pela primeira vez no Brasil Alamar, do México, o espanhol A Mulher Sem Piano e os brasileiros El Último Comandante e Memória Cubana

Completam a seleção títulos que já participaram de outros festivais, como o argentino O Último Verão de la Boyita, o cubano Lysanka e o brasileiro Estrada para Ythaca. Wolney chama a atenção para algumas características deste filme, “o único 100%” brasileiro, já que os de Alice Andrade e Vicente Ferraz são coproduções. Estrada para Ythaca ganhou a Mostra Aurora, para diretores estreantes, no Festival de Tiradentes, em janeiro deste ano. Na sua ficha técnica aparecem quatro diretores – Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes – que fazem também parte do elenco. “O filme custou apenas R$ 2 mil”, diz Wolney. “E acredito nisso, porque os diretores são também os atores e rodaram tudo em câmera digital, uma dessas máquinas que tiram fotos mas também podem ser usadas numa filmagem.”

Milagres da tecnologia contemporânea. O diretor do festival viu o longa e garante que ele não perde em qualidade para outras obras filmadas em suporte digital. “É o que está acontecendo hoje; cada vez mais a tecnologia fica barata e os resultados, melhores”, diz. De modo que no Cine Ceará teremos em concurso obras que custaram de R$ 2 mil a alguns milhões de reais, como é o caso do filme de abertura, Do Amor e de Outros Demônios, baseado em obra de escritor famoso e captado em película 35 mm, ainda insubstituível em termos de qualidade, definição e matizes de cor.

Estrada para Ythaca promete levantar discussão sobre a possibilidade de se fazer obras relevantes com poucos recursos. Ganhou festival e teve boa repercussão crítica onde foi apresentado. Foi citado pelo crítico Pedro Butcher em artigo para a revista Cahiers du Cinéma sobre o cinema brasileiro contemporâneo.

As mostras paralelas prometem bons filmes e boas discussões. Uma delas Diásporas: as Fronteiras da Identidade selecionou duas produções brasileiras e quatro estrangeiras para falar sobre o universo da imigração e da cultura multinacional em curso.

Outra mostra lembra os 20 anos da Queda do Muro de Berlim e traz filmes curiosos a respeito desse fato histórico. Um deles, Coelho à Berlinesa, é muito interessante”, diz Wolney. Fala de uma colônia de coelhos que viveram sossegados e proliferaram alegremente nos arredores do Muro durante os anos da divisão entre as duas Alemanhas. “Com a queda, eles passaram a ser caçados e foram parar nos pratos dos alemães, em especial nos da ex-República Democrática Alemã.” Os coelhos germânicos são vítimas, até então desconhecidas, do fim da Guerra Fria.

Apenas um desfalque a ser registrado para a 20.ª edição do Cine Ceará. Seu presidente de honra, o cineasta argentino Fernando Birri, não virá: “Com seus 85 aninhos, Birri está ocupado na produção do seu próximo longa-metragem”, informou Wolney.

Os Longas Concorrentes

El Último Comandante (Brasil/Costa Rica)

Memória Cubana (Brasil/Cuba/França)

Estrada para Ythaca (Brasil)

O Último Verão de la Boyita (Argentina/França/Espanha)

Do Amor e Outros Demônios (Costa Rica/Colômbia)

A Mulher Sem Piano (Espanha/França)

Alamar (México)

Lisanka (Cuba/Venezuela/Rússia)


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