Começa hoje a CineOP 2021 com homenagem a Chico Diaz
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Começa hoje a CineOP 2021 com homenagem a Chico Diaz

Luiz Zanin Oricchio

23 de junho de 2021 | 18h45

Em Corisco & Dadá, contracenando com Dira Paes

O ator Chico Diaz é o homenageado do ano na 16ª CineOP, que começa hoje, 23/6, e vai até 28/6. Online, em razão da pandemia, a CineOP traz nada menos que 118 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens. Além de painéis e debates, que são o forte dessa mostra suigeneris, realizada em tempos normais na barroca Ouro Preto, e dedicada à conservação e ao estudo da produção cinematográfica. A programação completa pode ser conferida no site www.cineop.com.br. Todas as atividades, incluindo o visionamento dos filmes, são gratuitas. 

Como acontece todos os anos, a estrutura do CineOP se espraia em várias direções, com seus respectivos braços curatoriais. Privilegia três eixos principais: conservação, história e educação. 

Mas há um foco em particular, que gostaria de destacar – o debate em torno da produção dos anos 1990, fase conhecida como Retomada do Cinema Brasileiro. E por que “Retomada”? Porque com a política de terra arrasada do governo Collor (1990-1992), a produção nacional praticamente desapareceu. Teve de ser resgatada depois que o presidente, sob ameaça de impeachment, renunciou ao cargo. 

Existe alguma particularidade no cinema da retomada, além de exprimir a óbvia reconstrução de uma atividade sucateada? É o que estará em discussão na mostra mineira, num trabalho que talvez junte duas pontas do tempo e faça o passado dialogar com o presente. Sim, ainda estamos no meio de um processo similar de desarticulação das atividades culturais no Brasil e não temos ainda distanciamento para avaliar, ou mesmo adivinhar, o que virá depois da catástrofe atual. Mas não custa tentar encontrar aproximações e diferenças entre uma época e outra. Afinal, uma das características de países como o Brasil é que o passado não passa totalmente, e as assombrações parecem sempre estar de volta.    

Será bastante interessante, além do debate, rever a produção da época da Retomada em filmes como A Negação do Brasil (Joelzito Araújo, 2000), Amélia (Ana Carolina, 2000), Baile Perfumado (Lírio Ferreira e Paulo Caldas, 1996), Carmem Miranda – Banana is My Business (Helena Solberg, 1994), Brava Gente Brasileira (Lucia Murat, 2000), Carlota Joaquina – Princesa do Brasil (Carla Camurati, 1995), Lamarca (Sérgio Rezende, 1d994), O Mandarim (Julio Bressane, 1995), Yndio do Brasil Sylvio Back, 1995) e Tudo É Brasil (Rogério Sganzerla, 1998). Pode-se sentir falta de um ou outro título relevante da Retomada, mas a amostragem é boa. 

Além desse panorama histórico, há no CineOP obras contemporâneas, com títulos como Aquilo que eu Nunca Perdi, de Marina Thomé, e Golpe de Ouro, de Chaim Litewski. Este último é particularmente interessante, focando uma empulhação pós-golpe militar de 1964 chamada “Doe Ouro para o Bem do Brasil”. Litewski é um cineasta corajoso. É dele o documentário Cidadão Boilesen, cujo personagem é um empresário colaborador com os porões da tortura na época do regime militar. 

Outra mostra particularmente interessante é a dedicada ao homenageado. São dez filmes imantados pelo brilho interpretativo de Chico Diaz: A Cor do Seu Destino, de Jorge Durán, Amarelo Manga, de Cláudio Assis, Corisco & Dadá, de Rosemberg Cariry, Os Matadores, de Beto Brant, Praça Saenz Peña, de Vinícius Reis, Cachaça, de Adelina Pontual, De Sentinela, de Katia Mesel, Quem você mais Deseja, de André Sturm e Silvia Rocha Campos, Girassol Vermelho, de Éder Santos e O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho. Este último abre o CineOP, agora à noite. 

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