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Começa a festa do cinema latino-americano

Luiz Zanin Oricchio

09 de julho de 2008 | 00h26

Os Uruguaios, documentário da cineasta Mariana Viñoles, deu início ao 3º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Apropriadamente, essa primeira projeção, para convidados, ocorreu na Sala Simon Bolívar do Memorial da América Latina. Foi o ponto de partida de um festival que vem crescendo ano a ano – e nesta edição apresenta nada menos que 121 títulos, exibidos em outras três salas, além das do Memorial, sua sede: CineSesc, Cinemateca Brasileira e Cinusp (na Cidade Universitária). A programação normal rola a partir de amanhã e o ingresso, em todas as salas e sessões, é gratuito.

Os Uruguaios faz parte de uma série chamada Os Latino-Americanos, cujos dez primeiros títulos serão apresentados durante o festival. São perfis de países. O de Mariana Viñoles, que estará no Brasil para debater seu trabalho, é de uma delicadeza muito grande na maneira como constrói seu retrato de um país educado, culto, mas que sofre depois de muito tempo de grave estagnação econômica. Mariana busca a palavra de pessoas simples, e traça um painel da realidade no campo à vida urbana em Montevidéu.

Não se trata de retrato unilateral, e, portanto, não ignora problemas nem virtudes. Nota, de um lado, o orgulho que se poderia chamar de patriótico em outros tempos; de outro lado, a crença, de parte da população, no exílio como meio de solução dos seus problemas. O contraponto a essa dicotomia é a entrevista com um italiano, que veio ao país, casou-se com uma uruguaia e não pretende voltar à Europa a não ser para visitar a família. A meditar.

Nesta edição, o festival foi dividido em vários segmentos. Traz títulos contemporâneos, produzidos entre 2006 e 2008 em países que vão do Haiti à Venezuela, incluindo exemplares que já passaram por alguns dos mais importantes festivais do mundo como Cannes, Veneza e Roterdã. Faz uma retrospectiva, intitulada Desdobramentos do Cinema Novo, com filmes produzidos na época de ouro do cinema latino-americano, anos 60 e 70, e também obras influenciadas pelo espírito desse período. A não perder, o clássico Actas de Marusia, do chileno Miguel Littín. Por fim, o capítulo das homenagens. A primeira, ao argentino Fernando ”Pino” Solanas, autor (em parceria com Antonio Getino) do clássico La Hora de los Hornos. Solanas participa dia 12 de mesa de discussão de sua obra, que será em boa parte reapresentada no evento, com destaque para Os Filhos de Fierro (1972), baseado no poema épico Martín Fierro, de José Hernández, uma das referências fundamentais de Jorge Luis Borges.

A outra homenagem é ao cubano Tomás Gutiérrez Alea, morto em 1996 e autor do maior sucesso internacional de Cuba, Morango e Chocolate. Alea é diretor do filme que muitos consideram o maior de todos já produzidos na América Latina – Memórias do Subdesenvolvimento, de 1968. A boa nova é que não apenas o filme será reapresentado, junto com outros de Alea, mas o autor do livro em que se baseia, Edmundo Desnoes, vem ao Brasil e participa de debate, dia 11, às 19 h. O livro, que até agora não havia saído em português, foi editado pelo próprio Memorial, com tradução de Elen Döpenschmitt. Mais informações no site www.festlatinosp.com.br.

Serviço
Memorial da América Latina. Avenida Auro Soares de Andrade, 664, Barra Funda, telefone 3823-4600. CineSesc. Avenida Augusta, 2.075, Cerqueira César, telefone 3087-0500. Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, telefone 3512-6111. Cinusp. Rua do Anfiteatro, 181, Cidade Universitária, telefone 3091-3540. Grátis. Até 13/7

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