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Barrichello, Pet, Ronaldo, Adriano…

Luiz Zanin Oricchio

20 de outubro de 2009 | 14h39

Acompanhei com emoção a pole position conseguida por Rubens Barrichello no sábado. Assisti também ao show de Petkovic domingo, no Parque Antártica. O que os dois fatos têm a ver um com o outro? Simples. Envolveram personagens antes desacreditados, deixando em má situação os falastrões de sempre.

Corre nas redações uma frase famosa: “Fulano perde o amigo, mas não perde a piada”. Desse modo, Barrichello, a ótima anedota, foi , ao longo dos anos, não digo criticado, mas achincalhado e ridicularizado. Virou personagem de programa humorístico e sinônimo de tudo o que havia de fracassado, de segunda classe, de vira-latas, do que não dá certo neste país subdesenvolvido. Como se mantinha em atividade numa categoria de excelência como a Fórmula-1, não sei. Sábado foi o dia dele. E o simples fato de ter rondado um título, que afinal não conquistou, o redimiu. Quase se pôde ouvir no ar o suspiro de alívio dos maledicentes quando afinal Jenson Button se sagrou campeão. Já pensaram que desastre se Barrichello, além de mostrar como eram estúpidos os que o ridicularizaram, ainda tivesse o desplante de se tornar campeão do mundo? Com que cara iriam ficar?

Quando Petkovic voltou para o Flamengo, ouvi muito falar em “ex-atleta em atividade”. Não parece uma expressão brilhante, dessas que consagram qualquer cronista? Pois bem: domingo, o “ex-atleta” acabou com o jogo. Marcou dois golaços, lançou, defendeu, regeu o meio campo. Não foi uma tarde de exceção. Pet tem sido decisivo nessa belíssima ascensão do Flamengo, o único time que está jogando como campeão hoje em dia (Atenção: eu não disse que o Flamengo vai ser campeão; digo que está jogando como campeão).

Ouvi muitas frases espirituosas também quando Ronaldo e Adriano voltaram ao Brasil. Novamente “ex-jogador em atividade”, e “contratação de peso”, sobre Ronaldo. Para Adriano, reservou-se o prognóstico de que o Flamengo havia buscado um jogador e trazido um problema; que a grande beneficiária da contratação seria a noite carioca, etc.

Uma boa frase vale muito no mercado do espetáculo da notícia. O que às vezes a pessoa não percebe é que se torna escrava da própria piada. Quem se apega aos seus preconceitos, fecha os olhos para o fato de que as pessoas podem ser contraditórias, complexas e surpreendentes. Em nossa arrogância, recusamo-nos a ver. É uma espécie de cegueira voluntária, da qual somos as primeiras vítimas.

FUTEBOL DE BATOM

O Santos conquistou com o pé nas costas a primeira Libertadores de futebol feminino. Seis jogos, seis vitórias, 43 gols marcados, dois sofridos. Acompanhei alguns deles, inclusive a final, 9 a 0 sobre a Universidad Autónoma, do Paraguai. Havia quase 15 mil pessoas na Vila Belmiro, muito mais que nas “exibições” recentes do pífio time dos marmanjos. Agora, é torcer para que a modalidade se desenvolva no Brasil.

Vi muita arte nesse jogo contra o Universidad, em especial quando Marta pegava na bola. Cada jogada dessa moça é uma iluminação. E vi uma coisa especial, que nunca havia presenciado no futebol de homens. Uma jogadora do Santos foi bater escanteio quando avistou algo no gramado. Um copinho de plástico ou um pedaço de papel. Desviou-se do caminho, recolheu o lixo e tirou-o do campo. Só depois foi cobrar o córner. Elas são ou não são o máximo?

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