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Coluna Boleiros: Agora é tudo ou nada

Luiz Zanin Oricchio

26 Abril 2011 | 14h03

Ufa! Deu tudo certo e conforme o planejado os quatro grandes se classificaram para as semifinais. Os “pequenos” se comportaram como bons coadjuvantes e dificultaram as coisas para os favoritos, mas não a ponto de estragar a festa. Apenas valorizaram os vencedores, porque, afinal, nenhum dos quatro semifinalistas teve vida fácil. Em graus diferentes, Ponte Preta, Oeste, Portuguesa e Mirassol venderam caro a desclassificação, mas terminaram por deixar o campo apenas com isso, com os elogios destinados aos que lutaram e perderam com dignidade.

Poderia ter acontecido de maneira diferente? Poderia, mesmo porque já somos, digamos assim, experientes demais para acreditar em teorias conspiratórias ou jogos de cartas marcadas. É verdade que no futebol, como na própria vida, há mais coisas do que sonha a nossa vã filosofia. Mas não a ponto de ficarmos especulando sobre resultados dirigidos. Existe, é verdade, toda uma arte para elaborar a tabela de modo que os resultados esperados sejam alcançados, mas isso dentro das regras do jogo. Regras que, como se sabe, são estabelecidas por quem manda nesse jogo. E esse jogo dizia que, por uma série de razões, a principal das quais de ordem econômica, era preciso que os times de maior torcida e expressão chegassem todos às etapas finais do campeonato em condições de se tornarem campeões. É isso, e nada mais. Ai dos pequenos, como dizia, se não me engano, um imperador romano, e não estava falando em corridas de bigas, mas da guerra para valer.

Nessa guerra simbólica, por nós amada, que é o futebol, tudo se passa de outra maneira. Gostamos de dizer que é o esporte mais popular do mundo, porque grande é a sua imprevisibilidade. É o único dos esportes coletivos em que um time de menor qualidade técnica pode vencer outro, mais poderoso, em uma partida. Portanto, os quatro grandes do futebol paulista estiveram expostos à eliminação nesse formato de jogo único e disputa por pênaltis, em caso de empate. Não ocorreu nada disso, mas poderia ter acontecido. A zebra não deu as caras e, daqui para frente, pode acontecer qualquer coisa, literalmente.

Não é para ficar no muro, mas, quanto mais penso nos quatro times, mais os vejo como equivalentes. Santos e São Paulo me parecem ter os melhores jogadores, se formos pensar em individualidades. Mas o Palmeiras tem solidez e o Corinthians é o único que pode se dedicar com exclusividade ao Campeonato Paulista – o que não parece nada, mas é uma senhora vantagem na reta final. Mas o que acontecerá quando se encontrarem frente a frente? Vai depender do momento e cada jogo construirá a sua história. Afinal, clássico é clássico e vice-versa, como já pronunciou um dia o grande frasista Jardel. Há quem se arrisque mais e pense que São Paulo e Palmeiras seriam levemente favoritos nos confrontos contra o Santos e o Corinthians. Mas eu, em particular, não deposito um único centavo no prognóstico. Cada jogo terá sua história, como também poderia ter dito Jardel. Ou Vicente Matheus ou Neném Prancha, ou qualquer dos filósofos do futebol, que somos todos, no fundo.

De qualquer forma, quaisquer que sejam as críticas que podemos fazer a esse Paulistão, teremos um fim de semana dos mais emocionantes. Dois grandes clássicos, em partida única. Quer dizer, qualquer erro será fatal, qualquer atuação apagada não poderá ser compensada em um jogo seguinte. Tudo será resolvido lá, em 90 minutos, ou nos pênaltis, hipótese pouco recomendável para cardíacos.

O que se pode esperar é que apareça o futebol em alto nível, coisa que ainda não aconteceu. Algumas das equipes têm jogadores que podem tirar o jogo da região do óbvio. Esperamos que essa situação de jogo único – com adrenalina total – os inspire ao invés de inibi-los. Podemos criticar essa fórmula, mas são os jogos decisivos que temperam os craques e separam as crianças dos adultos, como se diz em certos ambientes.

(Coluna Boleiros, 26/4/2011)

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