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Cine PE Um balanço dos curtas-metragens (2)

Luiz Zanin Oricchio

05 de maio de 2013 | 21h07

Outros curtas ainda merecem menção.

A Galinha que Burlou o Sistema, de Quico Meirelles, é bem acabado e tem ideia inventiva. Cai um pouco na segunda visão, mas conserva-se ainda sua excelente qualidade técnica. É um abatedouro de aves pelo “ponto de vista” de uma galinha falante e que deseja outro destino para si. Voar, talvez.

O Fim do Filme, de André Dib. Um tanto superestimado, fala de um funcionário de locadora que gosta de entregar o desfecho dos filmes aos clientes. Até que conhece uma cliente especial. Filme engraçado, criativo, mas que não vai muito além de uma certa cinefilia e um vocação autorreferente.

Confete, de Jo Serfaty e Mariana Kauffman. O “percurso” do confete, da sua fabricação até a folia. Gancho criativo para um filme bastante corpóreo e sensual sobre o carnaval. Lembra alguma coisa de Lira do Delírio, de Walter Lima Jr. Ao menos como inspiração.

A Guerra dos Gibis, de Thiago Mendonça e Rafael Terpins. Já havíamos visto também este curta sofisticado que fala sobre os quadrinhos eróticos paulistanos em plena ditadura militar. Adota uma técnica de mangás e parece fruto de muita elaboração.

Linear, a animação vencedora do festival, de Amir Admoni, também já era nossa conhecida de outros carnavais. Aliás, festivais. É bastante bem feito com sua imagem do homenzinho perdido em meio ao inqualificável trânsito de São Paulo.

Poderia ainda falar de outros, que têm bons momentos, mas depois caem um pouco, como Colinas como Elefantes Brancos, de Melissa Gava, de bom clima porém indeciso demais; ou Desvelo, de Clarissa Rebouças, importante numa época em que a liberação sexual/afetivo brasileira bate de frente com os Felicianos da vida; ou Alexina – Memórias de um Exílio, de Claudio Bezerra e Stella Maris Saldanha, sobre a combativa viúva de Francisco Julião, o líder das Ligas Camponesas, mas que promete mais do que entrega; ou Sagatio, Histórias de Cinema, de Amaro Filho, que resgata um veterano profissional do cinema brasileiro, mas também não explora suas possibilidades e as da época em que João Sagatio atuou.

Enfim, com raras exceções, as exibições dos curtas proporcionaram momentos de prazer, estímulo intelectual e emoção aos espectadores do Cine PE. Foi uma boa safra.

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