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Cine PE 2016: As Aventuras do Pequeno Colombo

Luiz Zanin Oricchio

06 de maio de 2016 | 10h46

 

RECIFE – Um longa de animação foi o competidor da noite no Cine PE. As Aventuras do Pequeno Colombo, de Rodrigo Gava, é um dos desses raros exemplares do gênero em que a produção nacional derrapa. Há pouca gente que ousa entrar nessa seara dominado pela Disney. Mas não se pode dizer que a animação brasileira viva mau momento. Basta lembrar que O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, fez sucesso nos festivais europeus e chegou à final do Oscar, perdendo apenas para o inevitável Divertida Mente. Mas O Menino e o Mundo é uma obra de exceção.

Não é o mesmo caso de As Aventuras do Pequeno Colombo, tudo somado um bom produto comercial, destinado ao público infantil. O desenho é bem-feito e bonito. A história parte de uma ideia inteligente ao situar a trama no ano de 1460, quando o garoto Cristóvão Colombo, ao ver o pai em dificuldades financeiras, resolve meter-se numa aventura para ajudá-lo. Boas ideias também de colocar na aventura o menino Léo (que viria a ser Leonardo Da Vinci) e uma garota de nome Lisa, que se tornaria a mais famosa modelo do mundo. Conta também com um vilão convincente, o poderoso senhor de Bonneville. Ah, sim, pôde-se também matar as saudades do ator José Wilker, que dá voz a um dos personagens.

No entanto, a partir de certo ponto, a história passa a depender em excesso de soluções mágicas que, como se sabe, costumam preencher carências de imaginação no roteiro. Some-se tudo e tem-se um bom produto para as crianças, que, se tiver oportunidade, talvez faça carreira nas salas comerciais. Mas dificilmente se consegue justificar sua presença na mostra competitiva de um festival de cinema.

Curtas. A Vida em Uma Viagem (PE), de Tauana Uchôa, é um interessante estudo sobre a passagem do tempo, marcando as épocas históricas do Brasil, dos anos 1940 até o presente. Bem pensado, às vezes conduzido com ingenuidade, mas dá conta do recado.

Já os dois curtas da competição nacional frustraram as expectativas. O Último Engolervilha, de Marão (RJ) aposta demais na escatologia como forma de humor. Muito limitado e apelativo.

E O Coelho, de Marcello Sampaio (RJ), monta uma situação esquisita (pai incestuoso e suas filhas) para aliviá-la com uma catarse feita de encomenda para ganhar a plateia. Pelo menos isso, conseguiu. Foi aplaudido.

No resumo, foi a noite mais fraca do Cine PE 2016, até agora.

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