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Cine PE 2015 entrega seus prêmios hoje à noite

Luiz Zanin Oricchio

08 de maio de 2015 | 11h15

 

Quem ganha? Bem, isso é lá com o júri. Pode-se dizer, de antemão, que a seleção foi boa. Há um filme excepcional, Cavalo Dinheiro, do português Pedro Costa, que quase não participou, mas acabou sendo exibido ontem, com boa projeção. É um filme que tem tem participado de vários festivais do mundo e já ganhou prêmio em Locarno. Uma reflexão em fragmentos sobre o colonialismo português, a Revolução dos Cravos e os imigrantes jogados em quarteirões populares em Lisboa. É apenas brilhante.

Gostei de rever Permanência, do pernambucano Leonardo Lacca, com história ambientada em São Paulo. Havia visto no Festival do Rio. Irandhir Santos é o fotógrafo que vai para a capital paulista fazer a sua primeira exposição individual. Lá reencontra a antiga namorada, agora casada, envolve-se em outros relacionamentos, tenta uma aproximação com o pai, etc. Um filme intimista, de sentimentos e sensações, com muitas camadas de leitura. Muito bom, muito bonito e com um toque de mistério que lhe dá encanto particular.

O Vendedor de Passados, de Lula Buarque de Holanda, é interessante, porém filmado de maneira um tanto convencional. Tirado do romance homônimo do angolano José Eduardo Agualusa, põe em cena o personagem Vicente (Lázaro Ramos), cuja profissão consiste em inventar o passado a gosto do freguês. Se você não gosta do seu currículo, procure Vicente, que ele cria um melhorzinho para você. O próprio passado de Vicente é uma incógnita.  Essa ambiguidade faz o filme andar. Mas o que o movimenta mais é a chegada de uma cliente (Alinne Moraes) com um pedido pouco usual – deseja um passado no qual tenha cometido um crime. Lázaro e Alinne estão muito bem em seus papeis. Se o filme às vezes não anda, não é por culpa deles.

O documentário Aqui Deste Lugar, de Sergio Machado e Fernando Coimbra, teve um péssima exibição, como já dissemos antes neste blog. A tal ponto que a produção enviou links para que os jornalistas pudessem vê-lo (e sobretudo ouvi-lo) em seus computadores. Acompanha três famílias beneficiadas pelo Bolsa Família e, dada a atual polarização política do País, dificilmente será apreciado por suas eventuais qualidades ou defeitos cinematográficos. Será peça de debate ideológico.

O Gigantesco Ímã, de Petrônio e Tiago Scorza, tem como personagem o inventor e bricoleur do interior de Pernambuco Evangelista Ignácio de Oliveira. Engraçado, terno com o personagem e usando uma banda sonora criativa, tem boa pegada e mantém o interesse da assistência. Parte dos diálogos era incompreensível.

Mães do Pina, de Leo Falcão, descortina o universo das mães de santo no bairro do Pina, em Recife. Interessante imersão no mundo da religião, da ajuda mútua e do universo feminino. Não alça voo, mas é digno.

Já O Amuleto, de Jeferson De, parece uma incursão bastante problemática pelo cinema de gênero. Um grupo de jovens vai a uma festa na floresta e misteriosamente desaparece. A única que se salva é Diana (Bruna Linzmeyer), que no entanto não se lembra direito do que aconteceu. Mas existem registros nos celulares do jovens. Um policial tenta decifrar os crimes.  Mistura de suspense e terror, busca ser uma Bruxa de Blair nacional. Com escasso resultado.

 

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