Cine PE 2014: ‘Muitos Homens num Só’ faz barba, cabelo, bigode e etc
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Cine PE 2014: ‘Muitos Homens num Só’ faz barba, cabelo, bigode e etc

Luiz Zanin Oricchio

03 de maio de 2014 | 22h52

RECIFE – O 18º Cine PE terminou com a vitória acachapante de Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti. Foram dez troféus, deixando pouca coisa para os outros concorrentes. O filme é livremente inspirado em relato de João do Rio, e fala de um ladrão de casaca que teria realmente existido, um certo Dr. Antonio, interpretado por Vladimir Brichta (prêmio de melhor ator, naturalmente).
Trata-se de um filme de época ok, mas, convenhamos, para ganhar tantos prêmios teria de ser excepcional, o que não é. Esse excesso produziu um desequilíbrio no resultado.De qualquer forma, foi uma primeira experiência na internacionalização do certame. Agora, ocorre que não se internacionaliza um festival sem internacionalizar um júri também. Talvez, se houvesse algum jurado hispânico, por exemplo, a injustiça para com o argentino Todos Tenemos un Plan, que saiu sem qualquer prêmio, não teria sido cometida. Fica a lição para futuras edições do Cine PE, caso resolva aprofundar essa opção.

Esta edição teve algumas coisas boas, a começar pela melhora sensível do nível dos longas-metragens. Dois ótimos documentários: O Mercado de Notícias, do brasileiro Jorge Furtado, premiado pelo júri oficial; e o português E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, premiado pela crítica. Entre os de ficção, os bons Muitos Homens num Só, hipervalorizado, e Romance Policial, de Jorge Durán, prejudicado na premiação.  Também dignos, o argentino Todos Tenemos un Plan, de Ana Piterbarg, e Anni Felici, de Daniele Luchetti. Apenas uma aberração, Mundo Deserto de Almas Negras, que ainda abiscoitou uma bizarra menção honrosa pelo “espírito ‘DJ’ na construção de sua narrativa.” Frase que fez a alegria das redes sociais neste sábado. Merece uma menção quem a inventou. Não me pergunte de quê.

A seleção de curtas deixou a desejar, em especial a de curtas pernambucanos, o que desencadeou debate na cidade sobre um suposto boicote das novas gerações ao festival. A verificar. Não sabemos se havia outros filmes melhores para concorrer mas estes, certamente, não satisfizeram.

Ponto positivo: os problemas técnicos de som e projeção, que atormentaram a organização e o público em anos anteriores, desapareceram. Não houve qualquer senão, apesar de uma ou outra queixa pontual de diretor. Mas isso é de lei e acontece nos melhores festivais do mundo.

Ponto negativo: o público compareceu em número inferior ao de edições anteriores. Há uma batalha aí que está sendo perdida. Pode haver muitas causas para a diminuição de frequência: chuvas, trânsito infernal, a localização difícil do Centro de Convenções, que fica em Olinda, o suposto divórcio do festival com a jovem guarda cinematográfica da cidade, barbeiragens na grade de programação, etc. Esse fato é grave, em especial para um evento que se define como o “Maracanã dos festivais”.

Se o público do Maracanã é pequeno, a impressão é muito mais desoladora do que se fosse num campinho qualquer.

Premiação: 
Calungas (12 categorias)Filme: Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti

Direção: Mini Kerti (Muitos Homens Num Só)

Ator: Vladimir Brichta (Muitos Homens Num Só)

Atriz: Alice Braga (Muitos Homens Num Só)

Ator Coadjuvante: Alvaro Rudolphy (Romance Policial, de Jorge Durán) e Pedro Brício (Muitos Homens Num Só)

Atriz Coadjuvante: Roxana Campos (Romance Policial) e Pia Engleberth (Anni Felici)

Roteiro: Leandro Assis (Muitos Homens Num Só)

Fotografia: Luis Abramo (Romance Policial)

Direção de Arte: Kiti Duarte (Muitos Homens Num Só)

Trilha Sonora: Dado Villa-Lobos (Muitos Homens Num Só)

Edição de Som: Tomás Alem (Muitos Homens Num Só)

Montagem: Mirco Garrone (Anni Felici, de Daniele Luchetti)

Prêmio do Júri Popular: Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti

Prêmio da Crítica – Júri da Abraccine: E Agora? Lembra-Me, de Joaquim Pinto (Portugal).

Prêmios especiais do júri oficial:

Menção Honrosa: “Para o filme O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha (MG), por ampliar a proposta de uma produção brasileira que destaca fatos da história nacional para um público infantil”.

Menção Honrosa: “Para o elenco infantil dos filmes Anni Felici, de Daniele Luchetti (Itália), e O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha (MG), em especial para o ator mineiro Lino Facioli.”

Menção Honrosa: “Para o filme Mundo Deserto de Almas Negras, de Ruy Veridiano (SP), pela inventividade e ousadia ao construir um filme que utiliza o espírito ‘DJ’ na construção de sua narrativa.”

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