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Cine PE 2013 Premiação desproporcional para Vendo ou Alugo prejudica festival

Luiz Zanin Oricchio

03 de maio de 2013 | 12h41

RECIFE – O mínimo que se pode dizer é que o júri cometeu uma premiação completamente fora de proporção em favor de Vendo ou Alugo. Senão, vejamos: recebeu nada menos que 10 troféus Calunga apenas do júri oficial: melhor filme, direção, atriz (Marieta Severo), ator coadjuvante (Pedro Monteiro), atriz coadjuvante (Nathalia Timberg), roteiro, direção de arte, trilha sonora, montagem e Prêmio Especial do Júri para o grupo de atrizes (Carmem Verônica, Ilka Soares e Daysi Lúcidi). Além disso, levou os prêmios da crítica e público. 12 ao todo.

Sobrou pouco para os outros filmes: Bonitinha mas Ordinária ganhou ator (João Miguel). Giovanni Improtta ficou com fotografia (Lauro Escorel). Rio Doce/CDU ganhou edição de som e uma menção honrosa pela fotografia. Mazzaropi, Orgulho de Ser Brasileiro e Aos Ventos que Virão ficaram sem nada. Vieram e saíram do Recife de mãos abanando.

Conclusão: ou houve um monumental equívoco do júri (composto por Beto Souza, José Luiz Villamarin, Marcus Ligocki Jr., Pedro Pablo Lazzarini, Paula Burlamaqui, Ruth de Albuquerque e Cleodon Coelho), ou estamos diante de um novo Cidadão Kane, de um Terra em Transe, enfim, de uma obra capaz de mudar os rumos da cinematografia nacional e mesmo internacional. Não é a opinião deste crítico.

Vendo ou Alugo tem qualidades. É uma boa comédia, e que poderia até mesmo ter vencido o festival. Jamais acumular prêmios desta maneira. Ainda mais em mostra tão equilibrada. Nesse caso, até mesmo para refletir esse equilíbrio, teria sido preferível distribuir melhor os prêmios. Seria um retrato mais justo do que se passou na tela do Cine Teatro Guararapes durante a semana de competição.

O nível da mostra decaiu em relação à do ano passado. O Cine PE tenta se equilibrar entre o cinema de público e o mais autoral, o que não é bom nem mau em si. Apenas um recorte próprio para um festival que se orgulha de ter o maior público do Brasil. Mas mesmo essas contas precisam começar a ser refeitas. A antes superlotada sala de 2400 lugares do Centro de Convenções nunca esteve cheia. Havia sempre buracos na platéia. E a noite de premiação foi muito esvaziada. Além do mais, ao acertadamente apostar no ineditismo, não encontrou títulos competitivos para ocupar todas as vagas.

Giovanni Improtta é uma comédia razoável, com bons momentos, alternados a outros mais fracos. A vencedora Vendo ou Alugo tem seus méritos, como se disse, e vai além do meramente cômico em alguns pontos. Mas não é tudo isso que o júri nela viu. Temo que uma inflação generalizada de egos iniba uma discussão lúcida de suas óbvias limitações. Mazzaropi é um bom e honesto documentário, que não inventa, mas dá conta do recado. Orgulho de Ser Brasileiro não deveria ter sido selecionado. É fraco demais. Rio Doce/CDU era, como filme, o mais inventivo e agudo. E Aos Ventos que Virão, em que pese o anacronismo de certas partes, é um digno projeto de um diretor conhecedor do seu ofício.

Isso tudo somado não dá uma seleção brilhante. E também não dá a qualquer dos concorrentes uma supremacia arrasadora sobre os outros. Ao destacar um, em detrimento de outros que mereciam premiação melhor, o júri produziu um retrato deformado do que foi o festival. Isso não é bom para o próprio Cine PE. Diretores podem ficar receosos de enfrentarem, no futuro, júris dessa natureza.

Vou dedicar um post exclusivo à boa safra de curtas. Aguardem.

Premiação de Longas-metragens

Vendo ou Alugo: melhor filme, direção (Betse de Paula), atriz (Marieta Severo), ator coadjuvante (Pedro Monteiro), atriz (Nathalia Timberg), roteiro, direção de arte, trilha sonora, montagem, Prêmio Especial do Júri (para o grupo de atrizes). Mais prêmio da crítica e do público.

Bonitinha Mas Ordinária: ator (João Miguel)

Giovanni Improtta: fotografia (Lauro Escorel)

Rio Doce-CDU: edição de som, menção honrosa para fotografia

Ficaram sem nada: Mazzaropi, Orgulho de Ser Brasileiro, Aos Ventos que Virão

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