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Cine OP. O discurso acadêmico e a luz da intuição

Luiz Zanin Oricchio

26 de junho de 2016 | 11h04

 
OURO PRETO – Faço posts rápidos, afinal estou numa das cidades mais lindas do ciclo do ouro e quero ver igrejas e museus. Mas os seminários estão sendo ótimos, é bom que se diga.

Ontem houve dois. O primeiro foi Os Deserdados da Nova República, com Cleber Eduardo, João Luís Vieira e Edgard Navarro, coordenado por Rafael de Luna Freire. A proposta era abrangente. Examinar o conjunto de filmes feitos ao longo do processo de redemocratização e fundação da chamada “Nova Republica”. Esta mesma que está agora em processo de dissolução com o golpe em andamento. Acho que as análises dos universitários foi muito pertinente. Como sempre, pode-se objetar que a análise de filmes em conjunto acaba sendo sempre um tanto parcial. Mas lembremos que é a estratégia seguida por Jean-Claude Bernardet num clássico como Brasil em Tempo de Cinema. Eu mesmo fiz isso em Cinema de Novo – um Balanço Crítico da Retomada. Supomos que o conjunto de filmes “fala” alguma coisa do seu tempo e tentamos interpretar essa “fala”. Há muito que considerar sobre essa metodologia. Tanto sobre seus aspectos heurísticos, ao traçar panoramas amplos ao invés de tentá-los na análise filme a filme. Mas sempre existe o risco de tomarmos um aspecto pelo todo para que caiba na teoria implícita que temos em mente.

Enfim, não sei se por acaso ou por estratégia da curadoria, colocou-se o cineasta Edgard Navarro na mesma mesa. Navarro, talentosíssimo diretor de Super-Outro e Eu Me Lembro, é tudo, menos acadêmico. E, por contraste, a receita deu muito certo.

Navarro começou com um discurso que parecia confuso, mas, aos poucos foi incendiando a plateia com seu raciocínio barroco, cheio de élan e originalidade. Terminou por fazer a ligação entre o que se propunha e os tempos atuais, do golpe parlamentar. Foi engraçado, incisivo, terno e lúcio. Terminou por evocar o grande Glauber Rocha, ao dizer que falta alguém como ele, hoje. Alguém que pudesse peitar o poder, dizer o que tinha a dizer, sem medo da morte…”porque já estava morto”. A coragem dos grandes guerreiros. Nada a perder, porque já se perdeu tudo. A intuição de Navarro atinge pontos em que o raciocínio lógico vacila.

O segundo seminário, sobre Um Dia na Vida, de Eduardo Coutinho, deixo para outro post.

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