Cine OP 2018: a Nova História do Cinema Brasileiro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cine OP 2018: a Nova História do Cinema Brasileiro

A nova obra foi debatida em uma mesa composta pela organizadora Sheila Schvartzman e pelos autores João Luiz Vieira, Guiomar Ramos e Luciano Ramos. A moderação foi do crítico José Geraldo Couto.

Luiz Zanin Oricchio

16 de junho de 2018 | 11h07

Em Ouro Preto: debate sobre a Nova História do Cinema Brasileiro

 

OURO PRETO/MG

Uma nova história do cinema brasileiro foi anunciada no Cine OP, aqui em Ouro Preto. O livro, que estará nas lojas em um mês, tem organização de Sheila Schvartzman e Fernão Ramos. Atualiza, amplia e revisa conceitos de uma obra canônica para os estudiosos do cinema nacional, a História do Cinema Brasileiro, de 1987, organizada por Fernão Ramos e co-editada pela Embrafilme.

A nova obra foi debatida em uma mesa composta pela organizadora Sheila Schvartzman e pelos autores João Luiz Vieira, Guiomar Ramos e Luciano Ramos. A moderação foi do crítico José Geraldo Couto.

Coube a Sheila explicar as razões que motivaram a nova obra, que consumiu quatro anos de trabalho e será publicada pela Editora do Sesc. “Havia algumas defasagens numa obra escrita há mais de 30 anos”, disse. Entre elas, algumas principais: “não se fala mais em ‘cinema primitivo’, como antigamente; não havia, na obra de 1987, ênfase suficiente às questões de gênero e raça; na atual problematiza-se a idéia de ‘ciclo’, presente no primeiro livro”.

Há uma ideia basilar em quem escreve sobre cultura, assim expressa pelo historiador Marc Ferro: “A história se escreve a partir do presente”. E, portanto, incorpora a visão de mundo do tempo atual à sua análise do passado. É inevitável. De modo que questões como gênero e raça, com a importância que adquiriram nos últimos anos, teriam de ser incorporadas a uma (re)visão histórica do cinema brasileiro.

Da mesma forma, a atualização de conceitos historiográficos, como ‘ciclo’ e ‘cinema primitivo’ tornava indispensável a revisão de alguns textos do primeiro livro.

Nas palavras de João Luiz Vieira, professor da Universidade Federal Fluminense, os editores da nova obra “Trazem para o livro os desafios intelectuais do seu tempo”. Ele próprio incorporou essas questões “novas” ao seu texto já clássico sobre a chanchada, presente no livro de 1987. “Introduzo atualizações e nuances”, diz .

Há estudos completamente novos, como o de Luciano Ramos, sobre o cinema industrial paulista na figura do produtor Oswaldo Massaini, fundador da Cinedistri. E o de Guiomar Ramos, sobre o cinema experimental, destacando quatro figuras de cineastas: Arthur Omar, Aloysio Raulino, Carlos Adriano e Jairo Ferreira.

Enfim, A Nova História do Cinema Brasileiro nasce como obra indispensável para estudiosos, críticos e pessoas interessadas no nosso cinema. Pela extensão (dois volumes) e provável profundidade, bem como pela excelência dos autores envolvidos, exigirá um tempo de estudo e assimilação antes de avaliarmos o reposicionamento que propõe para a interpretação histórica do nosso cinema.  Vem para ficar. Pode, pelas revisões introduzidas, provocar controvérsias, como aliás acontece na vida intelectual saudável das sociedades.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: