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Cine Ceará: Memórias de Pinochet

Luiz Zanin Oricchio

12 de abril de 2008 | 12h01

FORTALEZA – Circunstâncias Especiais, o documentário de Marianne Teleki, entra na linha Michael Moore, invadindo a privacidade de militares que, na época da ditadura, mataram gente e cometeram atrocidades em Tomé, uma cidade chilena. O filme é conduzido por Héctor Salgado, que na época tinha 16 anos de idade, foi preso com um grupo de amigos e torturado. Dois desses amigos acabaram sendo fuzilados. Era uma guerra, como costuma dizer a direita, mas uma guerra muito desigual. E mesmo guerras respeitam convenções internacionais, o que não acontecia nesta “guerra suja” das ditaduras latino-americanas. Um bom filme, com momentos emocionantes e, mais uma vez constatatamos: no Brasil se fazem muitos filmes (ficção e documentário) sobre a época da luta armada. Mas jamais se encosta na parede os responsáveis por violações dos direitos humanos. Por que será?

No segundo longa da noite, temos a comédia dramática familiar Vete de Mi, de Victor Garcia Leon. A história e a de um ator de meia idade, que vive com a segunda mulher (bem mais jovem do que ele) e tem seu cotidiano perturbado pela chegada de um filho trintão, produto de um relacionamento passageiro. O destaque fica para o trabalho dos atores, sutil, cheio de mordacidade e subentendidos.

E o destaque, negativo, fica para as condições de projeção da Sala São Luiz, que é muito bonita, mas sem qualquer condição técnica para um festival. Calor insuportável lá dentro, som inaudível e projeção deficiente. O filme espanhol foi exibido sem um momento de foco sequer. Um jurado me confidenciou, em off: “Como é que a gente pode julgar um prêmio como fotografia com uma projeção como essa?”

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