Cine Ceará 2020: ‘Nazinha, Olhai por Nós’, a fé e as grades
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Cine Ceará 2020: ‘Nazinha, Olhai por Nós’, a fé e as grades

Luiz Zanin Oricchio

09 de dezembro de 2020 | 13h23

Estudo entre a fé e a vida prisional no Brasil, Nazinha, Olhai por Nós, documentário de Belisário Franca, deu seguimento à mostra competitiva do 30º Cine Ceará. 

Franca concentra-se em um fato social/religioso, o Círio de Nazaré, e poucos personagens – todos encarcerados. Pouco antes das festividades do Círio, quatro detentos, mulheres e homens, aguardam seus destinos atrás das grades. Há uma mulher que diz ter sido presa por engano. Outra, jovem, admite ter se desencaminhado por um amor errado. Um dos homens fala de sua vida de crimes, homicídios inclusive, enquanto espera por nova chance. Outro também passou a maior parte da adulta entre as grades – mas garante que esta será sua última prisão, frase com o dom da profecia. 

Belisário Franca é diretor de dois outros documentários anteriores, ambos muito bons. Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil garimpa a existência de ideias (e práticas) nazistas no País.  Soldados do Araguaia revisita a história da guerrilha no Pará, dizimada pelo exército durante os anos de chumbo. Ambos compõem, junto com este Nazinha, Olhai por Nós, o que o diretor chama de “trilogia do silenciamento”. 

No primeiro, ele descobre a história de meninos usados como escravos por fazendeiros de ideário nazista. O segundo traz a história de habitantes da região do Araguaia, convocados à força para combater a guerrilha. 

Neste terceiro, vem à frente o esquecido tema do mundo prisional, que deveria ser mais frequente nas telas de um país com a terceira população carcerária do mundo, atrás apenas das de Estados Unidos e China. O Brasil prende muito e mal, é o que dizem os especialistas. A diretora do presídio feminino paraense constata: “A sociedade fala em ressocialização, mas o que ela deseja, de fato, é que o preso seja encarcerado e esquecido”. Apagado da vida social, excluído, sem existência. 

Daí a importância desse registro que procura dar aos personagens ocultos a consistência de seres humanos. Erradas ou não, são vidas que entram em pauta, com aspirações comuns a qualquer mortal: casa, família, filhos, trabalho, esperança, e fé. 

Hoje, no Cineteatro São Luiz e Canais Globo https://canaisglobo.globo.com/c/canal-brasil/ 

20H – MOSTRA COMPETITIVA IBERO-AMERICANA DE LONGA-METRAGEM 

Blanco en Blanco (Branco no Branco). Théo Court. Ficção. 100′. Chile-Espanha-França-Alemanha. 2019. Classificação indicativa: 12 anos 

 

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