Cine Ceará 2019: o talento de Lilia Cabral em comédia ligeira
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Cine Ceará 2019: o talento de Lilia Cabral em comédia ligeira

Atriz recebeu estatueta pela carreira e apresentou seu filme, Maria do Caritó, uma gostosa comédia de costumes, exibida fora de concurso

Luiz Zanin Oricchio

02 de setembro de 2019 | 00h07

FORTALEZA – A atriz Lilia Cabral foi homenageada no Cine Ceará e agradeceu dizendo que lamentava ter feito pouco cinema na vida. Atriz mais de televisão, trabalhou apenas em alguns filmes, mas fez carreira sólida na TV Globo e no teatro. E dos palcos para a tela grande veio o filme por ela estrelado, Maria do Caritó, direção do estreante João Paulo Jabur. Antes de virar longa-metragem foi peça de teatro durante cinco anos. 

O que é “caritó”, você se pergunta, e nós também. O filme responde, logo na abertura. É uma daquelas pequenas estantes onde se colocam coisas fora do alcance das crianças – um molho de chaves, a caixa do remédio, etc. Pequenos objetos. 

Maria do Caritó é o nome que se dá às “velhas moças”, as solteironas, que ficaram para titia. Não têm filhos, não se casaram, vegetam em casa, na solidão. Os franceses têm uma expressão equivalente à nossa: vieilles filles. Moça velha. A mulher que ficou na prateleira. 

Bem, Maria (Lilia) é uma delas. Virgem por promessa do pai, que a fez por ocasião do parto no qual morreu a mulher e a criança estava ameaçada. Se o bebê se salvasse, seria preservada, virgo intacta, para se tornar “esposa” de São Djalminha, o santo padroeiro da cidade. 

Mas Maria não se conforma e faz promessa a Santo Antônio para que lhe mande um consorte, antes que seja tarde demais. “A velhice já está encostando”, chora no ombro de uma amiga. Maria, digamos tudo, deseja conhecer a alegria e os prazeres da carne antes de morrer. A ideia de ser canonizada não a encanta nem um pouco. Quer viver. Começar a viver, na verdade, pois até agora a sua vida não foi vida. 

Há por perto um circo, que promete ser via de escape para a santa sem vocação. E de outro há a cidade, que a idolatra e acredita na pureza da santa milagreira. Há também o pai que a explora, e o coronel que a utiliza na campanha eleitoral para a prefeitura. Também a Igreja entra no conluio. E Maria serve a todos, mas tenta escapar da armadilha. 

O filme é brejeiro e interessante, pelo menos em algumas partes. A estética parece bastante televisiva em muitos momentos. Mas o talento de Lilia fica evidente. Sobre sua personagem se concentram os melhores momentos da comédia. Que tem boas ideias, como trabalhar a dialética entre o circo x cidade para falar da arte contra o reacionarismo, tema bem atual. Tanto que o coronel, em campanha, promete que sua primeira medida seria expulsar o circo das imediações da cidade para preservar a moral das família. Outra de suas promessas é imediatamente extinguir a secretaria de Cultura do município. Soa familiar?

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