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Cine Ceará 2013 – Em casa nova

Luiz Zanin Oricchio

10 Setembro 2013 | 13h01

Mudando de chip, agora no Cine Ceará

 

Num ano de muitas novidades, começou sábado o 23 Cine Ceará, o tradicional Festival de Cinema de Fortaleza. Fiel ao recorte adotado nos anos mais recentes – ibero-americano – o Cine Ceará traz três longas brasileiros entre os competidores da Mostra principal: se Deus Vier Que Venha Armado, de Luis Dantas, Solidões, de Oswaldo Montenegro (Brasil) e Olho Nu, de Joel Pizzini.

Eles concorrem com os estrangeiros Emak Bakia, de Oskar Alegria (Espanha);Rincón de Darwin, de Diego Fernández Pujol (Uruguai-Portugal); El paciente interno, de Alejandro Solar Luna (México); La Película de Ana, de Daniel Diaz Torres (Cuba) e Mercedes Sosa, la voz de Latinoamérica, de Rodrigo H. Vila (Argentina).

A novidade já aparece no local onde os filmes serão apresentados. Eles saem do Teatro José de Alencar, onde a mostra acontecia até o ano passado, e migram para as salas modernas do Instituto Dragão do Mar. Durante muitos anos o Cine Ceará realizou-se no Cine São Luiz, na Praça do Ferreira, centro da cidade, uma região degradada, que as pessoas evitam à noite. O cinema também tinha problemas técnicos sérios. Foi para o lindo Teatro José de Alencar, maravilhoso para a ópera e a música sinfônica, mas improvisado como cinema. Chega agora a salas profissionais, e numa região da cidade cercada de bares e restaurantes que a juventude está acostumada a frequentar o ano todo. “Acho que isso vai aumentar muito a interação das pessoas durante o festival”, diz o cineasta Wolney Oliveira, diretor do evento.

A outra novidade é no foco temático, fazendo uma retrospectiva e homenageando o novo cinema português. “Nos anos anteriores, os nossos temas eram muito amplos, agora resolvemos fechar o foco sobre um país, Portugal”, diz. A atriz e diretora Maria de Medeiros (que recentemente venceu a parte latina do Festival de Gramado com seu Repare Bem), estará em Fortaleza. Dará show — é cantora também –, e acompanhará uma retrospectiva dos seus próprios filmes, dos que dirigiu ou nos quais atuou, o que inclui o mais conhecido de sua autoria, Capitães de Abril, sobre a Revolução de Abril. Coincidência ou não, uma das oficinas do Cine Ceará, a ser ministrada pelo crítico Marcelo Lyra, será sobre o cinema de Quentin Tarantino. Para quem já esqueceu, Maria de Medeiros faz um par inesquecível com o brutamontes Bruce Willis em Pulp Fiction.

Para os fãs do cinema latino-americano, o Cine Ceará reserva ainda uma cereja do bolo. Três cerejas, na verdade, com a apresentação de filmes centrados na figura do argentino Fernando Birri, um dos mais importantes diretores do continente. El Fausto Criollo é dirigido por Birri. Fernando Birri, o Errante Utópico, de Humberto Rio, é um documentário sobre sua vida e obra. E, em Paisages Devorados, de Eliseo Subiela, Birri é o protagonista.

Birri ainda não tem presença garantida no festival. Tem idade avançada e mora em Roma. É patrono do Cine Ceará e, até a alguns anos, frequentou todas as edições. Tem obra vasta, em cinema, literatura e ensaios. Mas basta dizer uma coisa: com um pequeno/imenso filme de 33 minutos, Tiré-Die, mudou em 1960 o panorama do documentário na América Latina.