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Cientistas…

Luiz Zanin Oricchio

10 de fevereiro de 2015 | 19h00

O Jogo da Imitação enfrenta dificuldade semelhante à de A Teoria de Tudo. Ambos falam de homens notáveis em situações adversas, e por motivos muito diferentes. Em A Teoria de Tudo, o físico Stephen Hawkings desenvolve suas altas especulações físico-matemáticas sobre o Universo enquanto seu corpo paralisa-se sob efeito de uma doença degenerativa. Em O Jogo da Imitação, o matemático Alan Turing decifra o código nazista e apressa o fim da guerra, salvando um número incalculável de vidas. Mas seu feito mantém-se em segredo e, como “recompensa”, Turing é condenado por sua homossexualidade; obrigado a tomar hormônios para escapar à prisão, acaba se suicidando.

         A história de Hawking é a de uma vitória dramática, um exemplo de superação e sucesso. A de Turing é trágica, prova maior da ingratidão e do preconceito da humanidade. Para se ter ideia, Turing, para decifrar o Enigma, o intrincadíssimo código com o qual os nazista trocavam informações, inventou o dispositivo que está na origem da computação. Ou seja, deste nosso mundo contemporâneo, com suas máquinas pensantes.

         A dificuldade que encontra o cineasta Morten Tydum é a de transformar em imagens e movimento uma proeza que foi sobretudo mental. E, para tanto, conta com a ótima interpretação de Benedict Cumbertatch, talvez o melhor trunfo do filme. Cumberbatch torna crível seu Alan Turing, com seu misto de energia criativa e angústia. Ele contracena com seus parceiros de trabalho na decifração do Enigma e também com a marcante presença feminina garantida por Keira Knightley.

Interessante, às vezes comovente, maduro, O Jogo da Imitação traz aquele outro lado, raramente contemplado em filmes cujo tema é a guerra. Ou seja, a outra batalha, aquela jogada nos bastidores, longe dos campos de batalha, mas que, muitas vezes determinam a diferença entre a vida e a morte para os que portam fuzis ou pilotam tanques. Mas, claro, seu propósito principal, até certo ponto cumprido, é resgatar o nome de um grande personagem, até então anônimo para o grande público e conhecido apenas por matemáticos e teóricos da guerra. 

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