Cidadão Boilesen ganha o É Tudo Verdade
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Cidadão Boilesen ganha o É Tudo Verdade

Luiz Zanin Oricchio

06 de abril de 2009 | 11h13

Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, foi o vencedor da parte nacional do festival de documentários É Tudo Verdade. Corumbiara, de Vincent Carelli, ficou com uma menção honrosa. Boilesen talvez não seja o mais estimulante, do ponto de vista da inovação da linguagem. Mas traz uma oportuna discussão política sobre a participação do empresariado brasileiro na ditadura militar. Em época de “ditabranda” e revisionismos igualmente torpes, a premiação é mais do que oportuna.

cidadao

Existem dogmas no cinema, ou pelo menos existem “dogmáticos” no mundo do cinema. Por exemplo, a questão da entrevista no documentário. Ela já foi devidamente demonizada, até ser exumada, sob nova forma, por Eduardo Coutinho. Com o sucesso, sobretudo de Santo Forte, Coutinho foi imitado à exaustão. Até descobrirem que ninguém entrevista como ele e que, por isso, seus filmes são inimitáveis.
Depois houve um cansaço e partiu-se para o documentário em primeira pessoa (dito de auto-ficção, como 33, de Kiko Goifman, ou Santiago, de João Moreira Salles) ou observacional. Boilesen conforma-se ao padrão mais convencional do documentário baseado em entrevistas. Entrevistas que, repita-se, trazem à tona elementos reprimidos, eu diria quase “inconscientes” da época da ditadura.

Por ser, como linguagem, mais convencional, seria por isso “pior” do que os outros? Não foi o que pensou o júri do É Tudo Verdade.

O release com a premiação completa você pode ler abaixo:

“CIDADÃO BOILESEN” E “VJS DE MIANMAR”
VENCEM É TUDO VERDADE 2009

Principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina, fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki, o É TUDO VERDADE – FESTIVAL
INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIOS divulgou na noite do sábado, 04 de
abril, os vencedores de sua 14ª edição.

“Cidadão Boilesen”, de Chaim Litewski, é o grande vencedor da
Competição Brasileira de Longa e Média-Metragem, recebendo o Troféu É Tudo Verdade e o prêmio CPFL Energia/É Tudo Verdade “Janela para o Contemporâneo”, no valor de R$ 100.000,00. O documentário analisa a trajetória de Henning Albert Boilesen (1916-1971), empresário que teve seu nome ligado ao financiamento da repressão política durante a ditadura militar.

Foi concedida uma menção honrosa para o longa brasileiro “Corumbiara”, de Vincent Carelli, que aborda um massacre de índios isolados em Rondônia nos anos 80, seguindo a pista dos sobreviventes até os dias atuais.

O Melhor Documentário da Competição Internacional de Longa e Média-
Metragem é “VJs de Mianmar – Notícias de um País Fechado” (Burma VJ)”, de Anders Høgsbro Østergaard (Dinamarca), que ganha o Troféu É Tudo Verdade e um prêmio no valor de R$ 15.000,00. Dois outros longas, “Segundas Sangrentas e Tortas de Morango (Bloody Mondays & Strawberry Pies)”, de Coco Schrijber (Holanda), e “René”, de Helena Třeštíková (República Checa), receberam menções honrosas.

“Arrancando a Alma (Severing the Soul)”, de Barbara Klutinis (EUA), foi escolhido Melhor Curta-Metragem da Competição Internacional, enquanto o filme “No Tempo de Miltinho”, de André Weller, foi o Melhor Curta-Metragem da Competição Brasileira. Ambos recebem o Troféu É Tudo Verdade e R$ 6.000,00.

Dois curtas internacionais receberam menções honrosas: “Chirola”, de Diego Mondaca (Bolívia), e “Escravos (Slavar)”, de Hanna Heilborn e David Aronowitsch (Suécia). Outra menção honrosa foi atribuída ao curta brasileiro “Leituras Cariocas”, de Consuelo Lins.

O Prêmio de Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-metragem, no valor de R$ 10.000,00, foi destinado ao curta “Nello’s”, de André Ristum, mediante votação de júri próprio.

O júri internacional do É Tudo Verdade 2009 foi formado pelo diretor do Festival Internacional de Documentários e Animação de Leipzig, Claas Danielsen, pela cineasta e professora chilena Paola Castillo e pelo fundador e diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Leon Cakoff. O júri brasileiro, por sua vez, foi constituído pela cineasta Lina Chamie, pelo montador e diretor Ricardo Miranda e pelo diretor de fotografia e cineasta Aloysio Raulino.

Na competição internacional de longas concorreram 12 títulos, enquanto na
brasileira foram sete competidores inéditos. Em curtas-metragens, disputaram os prêmios nove títulos internacionais e nove nacionais. Na programação geral (em São Paulo, de 25/03 a 5/04 , no Rio, de 26/03 a 05/04) foram exibidos 55 títulos.

A itinerância em Brasília será de 14 a 26 de abril. No segundo semestre, será realizada uma segunda etapa do É Tudo Verdade 2009, incluindo as mostras históricas e informativas.

Serviço
É Tudo Verdade – 14º Festival Internacional de Documentários
25 de março a 5 de abril em São Paulo
26 de março a 5 de abril no Rio de Janeiro
14 a 26 de abril em Brasília

Direção: Amir Labaki
Realização: Petrobras, CPFL Energia, Centro Cultural Banco do Brasil, SESC-SP, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Cinemark, Riofilme e Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro. Apoio do Ministério da Cultura, através da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet). Apoio institucional de OI Futuro e Imprensa Oficial.

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