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Cicarelli e a evasão de privacidade

Luiz Zanin Oricchio

09 Janeiro 2007 | 18h12

Estou achando engraçada essa batalha jurídica em torno do vídeo que mostra a Cicarelli fazendo bobagem com o namorado numa praia. Engraçado, mas no fundo precedente perigoso porque pode significar um tipo de censura aos conteúdos da rede. Acho que esta discussão vai longe. A rede pode exibir tudo? Mesmo pedofilia, conteúdo racista, ou que induza a criminalidade, pode ser usada para gerenciar tráfico de drogas, marcar brigas entre torcidas, essas coisas? Qual o limite da liberdade? Ou quando existe um limite já não se pode falar em liberdade?

Todas são questões muito difíceis de serem resolvidas por um sim ou um não e terão de ser enfrentadas um dia. Agora, o episódio Cicarelli me parece interessante por seu caráter, digamos, infinitesimal. Geralmente, celebridades trabalham com alto grau de exposição. Deve haver um termo técnico para isso, mas lá de onde eu venho se chama popularmente vontade de aparecer. Vivem disso e para isso. Faturam com a exposição, dão a vida para aparecer na Caras ou em qualquer lugar. Basta lembrar o famoso casamento com Ronaldo no castelo em Chantilly, com direito a barraco e expulsão de uma rival, tudo fartamente documentado pela mídia mundial. Então por que agora tanto desejo de privacidade, a ponto de tirar o YouTube do ar? Por uma questão moral? Sei não.

Não sei quem disse isso, mas a frase é muito boa: em se tratando de celebridades, não existe invasão de privacidade, o que há é evasão de privacidade.