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Chico Xavier, ou a força do personagem

Luiz Zanin Oricchio

24 de março de 2010 | 14h59

Quando o personagem é forte, ele é o discutido e não o filme. Às vezes, em benefício do filme. É o que está acontecendo com Chico Xavier, de Daniel Filho. Fala-se do médium e não da maneira como Daniel (e colaboradores) o representaram na tela. Isso acaba sendo um álibi para o filme. Se questionamos a sua, digamos, estética, podemos ser acusados de estar atacando o personagem.

De certa forma, foi o que aconteceu na coletiva de imprensa em Paulínia, na qual estiveram presentes o diretor, atores e atrizes, roteirista, produtores, escritor do livro original, etc. A tentativa foi criar uma aura de encantamento místico em torno do processo de filmagem, o que em certa medida foi conseguido. Daniel teve sua experiência mística (ou, pelo menos, inexplicável) a exemplo da que já tivera o escritor Marcel Souto Maior, autor do livro As Vidas de Chico Xavier, um best-seller da literatura espírita. Souto Maior está lançando agora um livro luxuoso, um making of, ou diário de bordo da filmagem. Ganhei um exemplar e depois falo sobre ele. Consta que já tenha vendido 50 mil cópias.

Ao final da entrevista, Daniel Filho agradeceu aos jornalistas e disse que, em toda a sua vida, não havia participado de nenhuma coletiva tão boa como esta. “Todas as perguntas foram pertinentes”, declarou.

Na saída, comentei com colegas que ele acabara de nos passar um certificado de incompetência. Aceitamos o fascínio do personagem e permitimos que ele encobrisse os problemas potenciais do filme.

Cabe agora discutir a obra.