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Che e os Filhos de Francisco

Luiz Zanin Oricchio

12 de dezembro de 2006 | 19h27

Na minha nota anterior sobre o Che deixei de dizer que ele se transformou no maior ícone da ilha. Pelo menos é o que se vê nas lojas para turistas. Nelas, há de tudo estampado com a figura do guerrilheiro: camisetas, botons, chaveiros, canetas, bolsas, pochetes, o que se quiser. A figura é aquela que você conhece: a foto com boina, cabelos compridos, olhar fixo num futuro que nunca chegou. Foi tirada pelo cubano Alberto Korda, divulgada anos depois para o mundo pelo italiano Giangiacomo Feltrinelli e desde então virou artigo de moda, signo de rebeldia, de inconformismo, do que se quiser. Até Maradona o tem tatuado no braço. As lojas vendem também os livros do Che, dos famosos Diários da Bolívia até o manual prático Guerra de Guerrilhas. Você entra num restaurante e pouco demora para o conjunto musical tocar Hasta Siempre, a música de Carlo Puebla em homenagem ao guerrilheiro caído. O Che está em toda parte. Fidel domina o noticiário oficial, nos jornais e na TV. Mas o Che é quem evoca a fase romântica da revolução, portanto aquela que não se desgasta e virou história.
Quanto ao festival, vejo com surpresa no jornalzinho distribuído diariamente pela organização a todos os festivaleiros que o prêmio popular está prestes a ser abocanhado por uma produção brasileira – Dois Filhos de Francisco. As prévias são publicadas a cada dia e Dois Filhos está com 4.836 espectadores, seguido de perto pelo argentino Las Manos, com 4696. O longa de Breno Silveira foi elogiado por Luciano Castillos, um dos principais críticos da ilha, chamando-o de “belo filme popular” e cuja trilha sonora se pode escutar até de olhos fechados. A votação é feita a cada sessão: cada espectador recebe na entrada um “boleto de la popularidad” com cinco cotações para o filme que vai ver. Ele rasga o boleto com a cotação escolhida, que é recolhido numa urna. Método simples.

Daqui a pouco, à noite, há um programa especial. Na verdade, um programão: a cópia integral e restaurada de Joana D’Darc (1928), de Dreyer, projetada com acompanhamento de órgão na catedral de Havana. Não perco por nada deste mundo. Depois conto a vocês como foi.

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