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Chaves e a memória afetiva

Luiz Zanin Oricchio

01 Dezembro 2014 | 18h13

Qualquer crítico com um pouco de estrada conhece a história. Ele fala mal de um filme ou seriado que lhe parece péssimo e o mundo desaba sobre sua cabeça. Ainda mais quando se trata de uma relíquia do passado.

Digo isso por causa das reações à morte de Roberto Bolaños. Para alguns não significa nada. Para quem cresceu vendo o seriado Chaves na TV, significa muito.

Isso nada tem a ver com a qualidade da obra. É efeito da memória afetiva. Amamos, ainda que racionalmente possamos criticar, tudo aquilo que fez parte da nossa infância, ou da nossa juventude. É compreensível. A passagem do tempo cobra preço exorbitante de todos nós. E todos tendemos a idealizar o tempo que passou, com tudo o que faz parte desse paraíso perdido. Entre as peças desse tesouro figuram filmes, músicas, séries de TV que dominaram aquela época

Do mesmo modo, gostamos de ver nosso amor partilhado por outros. Quando, pelo contrário, alguém desmistifica esse amor, ou zomba e faz pouco dele, torna-se alvo de nossa ira. É algo compreensível, irracional, e pode ser muito violento.

Portanto, cuidado ao criticar esses produtos de consumo que se tornaram ecos da infância para muitas gerações. Pode ser perigoso.

Agora, as pessoas adultas bem que poderiam ter um pouco mais de espírito crítico. Admitir que elas têm essa relação afetiva com determinados produtos, mas que isso não tem nada a ver com a qualidade ou falta de qualidade desse produto. Ninguém é obrigado a partilhar esse amor.

Podem amar Chaves à vontade. Mas por que precisam de cúmplices?

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