Chaplin e da utilidade e da inutilidade de um blog
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Chaplin e da utilidade e da inutilidade de um blog

Luiz Zanin Oricchio

28 de dezembro de 2007 | 12h57

chaplin

Amigos, voltei ontem do Guarujá e mergulhei num ritmo meio frenético de trabalho. Tanto que nem pude abrir o blog nem ler os comentários. Aliás, nem havia lido enquanto estava no litoral pois levei um lap-top da idade da pedra, quer dizer, de uns 4 ou 5 anos atrás. Serve para mandar e receber e-mails e postar uma coisinha ou outra. Mas, com sua vaga memória, ele não navega na internet – naufraga. Assim, não havia lido os comentários durante o recesso de Natal. Fi-lo (como diria o Jânio Quadros) apenas hoje.

E, ao fazê-lo, várias coisas me vieram ao espírito. Por exemplo, ao ler os comentários do post anterior, sobre o filme A Culpa É do Fidel, me assaltaram (êpa!) idéias soturnas sobre a utilidade de um blog. Qual o benefício prestado por alguns dos comentários a esse post, a mim ou às pessoas que fazem o favor de acessar esse blog? Nenhum. E, fiquei pensando assim: será que pelo fato de um blog estar na rede, ele é como a casa da Maria Joana? Quer dizer, qualquer um entra, faz e deposita o que bem entende? Se é assim…

Mas continuei a ler os comentários de outros posts e encontrei vários de grande valia e interesse. Um deles, que gostaria de destacar, é o de Josafá. Ele nota, com toda a razão, que nós, jornalistas, damos tanta atenção às efemérides, e deixamos escapar uma, que seria das mais importantes – os 30 anos da morte de Charles Chaplin. Caiu a ficha e me perguntei: por que não prestamos mais tanta atenção a esse gênio do cinema, a ponto de nos esquecermos de um aniversário redondo da sua morte? É caso para pensar.

Por sorte, voltei ontem ao trabalho e ainda deu tempo para alterar a pauta do Cultura, que circula neste domingo. E pudemos, Merten e eu, escrever alguma coisa sobre o mestre que nos deixou há 30 anos. Ao escrever, pensei também: todo mundo tem o seu Chaplin favorito e o meu é Tempos Modernos, extraordinária síntese de comédia e crítica ao capitalismo. Em certo ponto do meu texto digo que Tempos Modernos é mais ou menos como “O Capital”, só que dotado de senso de humor. Depois coloco o texto no blog.

Enfim, ficamos devendo esta a Josafá.

E chego a uma conclusão sobre minhas dúvidas anteriores. Um blog depende tanto do blogueiro quanto da boa (ou da má) qualidade dos comentadores que ele consegue atrair para o seu espaço. Fazemos esta coisa juntos.

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