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Caso Surfistinha: um tal filme não pode ser financiado?

Luiz Zanin Oricchio

09 Abril 2007 | 23h38

Levantei o caso Bruna Surfistinha porque, alertado por um colega, estranhei os valores envolvidos. Bem, esse é um ponto. O outro, é acharmos que, por ser o livro de memórias de uma prostituta, não pode ser financiado. E por que não? Não pode dar um bom filme? Não digo que vá ser. Mas não pode acontecer de virar um filme interessante? Coloco isso como questão, companheiros. Não tenho certezas. Há temas “nobres” e temas “vis”? E quem decidiria qual é um e qual é outro? Uma comissão de notáveis? Um colegiado moral de senhoras de Santana? Uma representação com vários extratos da sociedade? O fato é que o blog dessa senhorita, filha da classe média e que se prostituiu ao sair de casa, virou uma febre na internet. O livro, tirado do blog, vendeu 250 mil exemplares num país em que as tiragens são de 3 mil e encalham. O que isso quer dizer? Talvez muita coisa. Mas, numa primeira leitura, o óbvio: não existe tema que mais interesse às pessoas do que sexo. S-E-X-O. E existe uma ancestral fantasia em relação à prostituta. Ainda mais “próxima” de todos nós porque não se prostitui por “necessidade”, como reza o clichê. Enfim, a Surfistinha tem um quê de mistério, que fascina, repulsa e, sobretudo, desperta curiosidade. Nas mãos de um diretor de talento pode dar um bom filme, por que não? E, digamos sem hipocrisias, pode ser um estouro de bilheteria, que é uma exigência que vem sendo feita ao cinema financiado com dinheiro público. Ou será que um projeto desses deveria ser impugnado? Em nome de quê? Da moral e dos bons costumes? Pensemos.