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Cartas de Iwo Jima: o Clint “japonês”

Luiz Zanin Oricchio

17 de fevereiro de 2007 | 11h28

Entra hoje em cartaz a segunda lâmina do díptico de Clint Eastwood sobre uma decisiva batalha da 2ª Guerra Mundial – Cartas de Iwo Jima. A primeira, A Conquista da Honra, continua em cartaz e mostra a guerra pelo ponto de vista dos americanos. Em ‘Cartas de Iwo Jima’, o olhar é o do adversário, do derrotado. Seria preciso dizer uma palavra sobre a coragem desse projeto que leva em conta os dois lados de uma questão numa época em que a palavra de ordem é reforçar o pensamento único: ‘Nós estamos certos, por que perder tempo colocando isso em dúvida?’

Clint, quem diria, vai na contramão dessa mentalidade obtusa. Num dos filmes, ele fala do patriotismo norte-americano e das ilusões inerentes a esse sentimento. No outro, trata do patriotismo japonês. Um patriotismo por outro. Se equivalem ou se anulam? Numa guerra, e hoje em dia mesmo em tempo de paz, a ordem é sentir-se superior ao outro. Anulá-lo. Pois bem, e então chega um cineasta, até há poucos anos considerado um caubói de vocação conservadora, para dizer que não: que o
outro existe sim, que seus sentimentos são tão bons como os nossos, que suas razões tão urgentes como aquelas que alegamos para combatê-lo.

É preciso muita coragem para armar um raciocínio desses em tempos de ocupação do Iraque. E também muita técnica para dar a esse sentimento o formato de uma obra inesquecível, um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos.

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