‘Carancho’ e a disputa entre Brasil e Argentina
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‘Carancho’ e a disputa entre Brasil e Argentina

Luiz Zanin Oricchio

17 de novembro de 2010 | 13h50

Muito bom o filme argentino que vi agora de manhã –  “Carancho”, aqui traduzido por Abutres. Faz parte da Mostra de Direitos Humanos, que começa na sexta. Tem direção de Pablo Trapero e interpretação de Ricardo Darín, que faz o “carancho” do título, isto é, o cara que vive das indenizações dos acidentados no trânsito. Ele é quem entra em contato com as famílias das vítimas, batalha das indenizações, dá uma porcentagem às vítimas ou às famílias e fica com a parte do leão.

O “abutre” não age só. Faz parte de um esquema de advogados, com conexões com a polícia. Mas o que interessa mesmo é a fluência com que a história é contada, a ambivalência do personagem principal e também da mulher por quem se apaixona, uma médica jovem. Ambivalência aqui é o seguinte: o trabalho do cara é repulsivo, mas nem por isso deixamos de simpatizar com o personagem. Pode?

Espero que o filme não dê motivos a despertar mais um daqueles inúteis Fla-Flus, que retornam sempre que um produto dos hermanos é lançado por aqui  – qual é o melhor cinema, o brasileiro ou o argentino? Acho a discussão meio supérflua, mesmo porque estamos longe de conhecer a maior parte da produção argentina – só o filé mignon chega ao Brasil. E os filmes ruins? E os filmes banais, sem serem ruins? E os rotineiros? Não contam?

Mas há que se reconhecer uma coisa: nos filmes bons, eles sabem narrar uma história, colocar uma situação com toda a força, sem serem redundantes, confiando no poder da imagem e na inteligência do espectador. Um certo cinema brasileiro, vertente majoritária, parece que ficou muito dependente da televisão. Tem a vocação de dar tudo mastigado, explicar tudo à exaustão, como se tivesse medo de que o espectador não entendesse a “mensagem”. Isso tira muito da naturalidade do relato, da sua fluência e leveza, em suma.

Isso temos de aprender com eles. O assunto não se esgota por aqui.

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