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Campeão, e jogando muito *

Luiz Zanin Oricchio

12 de novembro de 2013 | 09h26

Amigos, a torcida e jogadores do Cruzeiro tiveram toda a razão em comemorar o título de 2013, mesmo que as contas finais ainda não tenham sido fechadas. Afinal, a probabilidade de não serem campeões é de fato tão remota que a vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio merecia mesmo volta olímpica, com direito a uma taça, mesmo que fake. Ainda que o concorrente direto, o Atlético-PR tenha vencido o São Paulo também por 3 a 0, adiando assim o fechamento matemático das contas para o título de campeão.

Ou seja, o campeonato acabou – pelo menos lá no topo da tabela – cinco rodadas antes do final. Curiosamente, a parte mais emocionante ficou para a parte de baixo, com vários times ainda “disputando” o triste privilégio de jogar a Segunda Divisão em 2014, ano da Copa no Brasil.

Claro que ainda existe alguma incerteza também nas posições intermediárias, com times que tanto podem disputar a Libertadores como serem rebaixados, ou ainda ficar com prêmios de consolação como a Sul-Americana ou a Copa do Brasil.

É normal que seja assim. Um campeonato por pontos corridos deve oferecer uma série de compensações secundárias exatamente para casos como este, em que um time se destaca dos outros de tal maneira que acaba ganhando o título com muita antecedência. É preciso que um campeonato longo se destaque não apenas pela emoção de vencer como pelo temor de cair e ainda contenha atrações como o prêmio de vagas para outros torneios, o principal dos quais a ambicionada Copa Libertadores da América.

Mas é claro que o principal é sempre o título. Ser campeão – eis aí o objetivo supremo de vários clubes quando a disputa começa. Costumamos dizer que, no Brasil, pelo menos 12 times começam em condições teóricas de disputar o troféu nacional. Os grandes de São Paulo e do Rio, que somam oito. Mais os dois do Rio Grande do Sul e os dois de Minas, reservando-se ainda espaço para surpresas como a do Atlético-PR este ano. Nenhum outro grande campeonato do mundo apresenta tamanha diversidade de potenciais campeões. Essa incerteza é um trunfo brasileiro, mesmo que se fale em nivelamento por baixo da maioria dos grandes clubes.

Como nos acostumamos a pensar sempre no dia de hoje (a vida contemporânea é feita de um eterno presente, sem passado e sem futuro), tendemos a achar que o campeonato foi um tédio, simplesmente porque o Cruzeiro disparou. Ora, quem, no início da disputa, apostaria cegamente que o Cruzeiro seria vencedor, e desta forma tão folgada, ainda por cima? Podíamos achar que seria um dos concorrentes, um entre tantos. Na bolsa de apostas estaria ao lado do decepcionante Corinthians e do atual campeão, o Fluminense, hoje na zona de rebaixamento e fortíssimo candidato ao rebaixamento. Quantas decepções tivemos. O São Paulo, eterno candidato aos títulos, também frequentou o Z-4, até se aprumar em posição mediana. O Internacional, com seu elenco de ponta, o Atlético-MG com a garra e a técnica que o fizeram campeão da Libertadores…Todos estes foram sendo tragados pelas circunstâncias do campeonato e caindo fora da disputa pelo título. Cada qual teve suas razões, mas estas não eram visíveis quando tudo começou.

Acima de tudo, não era sequer concebível a vantagem que o Cruzeiro, campeão, exibiria a cinco rodadas do fim. A grande vantagem em pontos é o que o fará vencedor. Tem 71 contra 58 do segundo colocado, o Atlético-PR. Mas o saldo de gols é ainda mais impressionante. Fez 69, tomou 29. Saldo: 40 gols! O segundo colocado tem apenas 13 gols de saldo. É muita diferença.

Estaremos diante de um esquadrão, com um craque em cada posição? De forma alguma, mesmo porque isso não existe mais no futebol brasileiro. Mas, ao assistir a um dos jogos do Cruzeiro, como este contra o Grêmio, vemos um time perfeitamente entrosado, solidário, que encontrou uma forma plástica e ofensiva de atuar. É insinuante e dá gosto de ver. É evidente que, em meio aos medalhões remanescentes, Marcelo Oliveira ganhará todos os prêmios de melhor técnico do país. Quantos apostariam neste discípulo de Telê Santana ao começo da temporada?

* Coluna publicada no Esportes do Estadão

 

 

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