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Cadáver é cultura

Luiz Zanin Oricchio

15 Fevereiro 2007 | 12h58

Quando cursei o 1º ano da Faculdade de Bioquímica da USP fui obrigado a me inscrever na disciplina de Anatomia, dada na Faculdade de Medicina. Era uma tortura e nem eu nem meu estômago nunca pudemos nos acostumar à presença de corpos humanos mortos, inteiros ou retalhados, exibidos para fins didáticos. Fico agora sabendo que uma exposição na Oca, a ser aberta dia 1º março, irá reproduzir o ambiente dessas antigas aulas de anatomia. O título é Corpo Humano: Real e Fascinante e a mostra expõe 16 cadáveres inteiros e mais 225 órgãos submetidos à técnica de polimerização que, garantem os organizadores, torna as “obras” inodoras. A exposição, portanto, não inclui o cheiro de formol das antigas salas de anatomia da Medicina. A origem dos corpos é duvidosa como o gosto dos expositores. A mostra já rodou mundo e gerou polêmica. Há ONGs que dizem se tratar de cadáveres de prisioneiros chineses executados em seu país, conforme foi noticiado no New York Times. Não sei. E nem pretendo discutir se isso é arte ou não porque a resposta me parece óbvia, mas talvez seja uma limitação pessoal. Em todo caso, não me sinto disposto a pagar R$ 30 pelo ingresso à exposição macabra.