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Bush e o antiamericanismo

Luiz Zanin Oricchio

09 Março 2007 | 14h12

Vi agora pela TV o caos em São Paulo com a passagem de Bush e novamente dei graças a Deus por estar na Serra do Japi, a uma prudente distância. Com essa visita, pulularam os artigos sobre o “antiamericanismo”. A leréia de sempre, e eu continuo com certa dificuldade para entender o termo. Ser antiamericano significa que eu não posso gostar da literatura de John Dos Passos, Hemingway ou Faulkner? Não posso escutar Miles Davis, Coltrane, Charlie Parker? Não devo admirar o boxe de Mohamed Ali, o maior de todos? Devo cortar relações com meu grande amigo Bob Stam, já que ele é americano e leciona na New York University? Será que não posso gostar do povo norte-americano? Dos crioulos de New Orleans, do Spike Lee, do Martin Scorsese, do Woody Allen? Tenho de jogar fora o meu DVD de Cidadão Kane? Não devo mais falar com amigos que fiz quando estive por lá? Se o antiamericanismo for isso, estou fora, e muito fora.

Agora, será que não tenho direito de não gostar da política intervencionista dos Estados Unidos, da invasão do Iraque, da prisão de Guantânamo, do desprezo pela ONU, da arrogância de não assinar o protocolo de Kyoto? Será que não se pode ser contra a política externa norte-americana sem ser tachado de antiamericano, a serviço do eixo Manágua, Caracas, Havana? Deixo a questão para vocês. Será que não se pode separar uma coisa da outra? Precisamos comprar o pacote americano inteirinho, como era proposto no tempo da guerra fria?