Burle Marx, o paisagista maior
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Burle Marx, o paisagista maior

Filme refaz a trajetória de Roberto Burle Marx, sua arte e sua luta para a preservação da natureza

Luiz Zanin Oricchio

21 Novembro 2018 | 12h49

 

Muito bonito este filme sobre Roberto Burle Marx, nosso paisagista maior. Se o objetivo de Burle Marx era a beleza e a valorização da flora nacional, o documentário de João Vargas Penna amolda o filme à perspectiva do biografado. Passeia sua câmera pela infinidade de jardins desenhados pelo autor mundo afora e ressalta, sem qualquer estridência, as noções de paz e harmonia escritas com o verde das plantas e o colorido das flores. Para construir sua arte, Burle Marx servia-se dos elementos vegetais como um pintor utiliza suas tintas e o compositor as notas musicais. São seus materiais de construção.

A “voz” de Burle Marx, contando sua vida e suas ideias é entonada por Amir Haddad e, a par das imagens, e do som nunca óbvio do Grivo, compõe o perfil de um personagem fascinante.

A parte final do documentário muda de tom e expressa a preocupação de Burle Marx com a destruição dos ecossistemas no Brasil. A predação ganha forma simbólica com a inauguração da Transamazônica, a estrada que era orgulho dos militares da ditadura brasileira. Para marcar a inauguração da estrada, cortou-se uma árvore centenária de 60 metros de altura e afixou-se no toco remanescente uma placa comemorativa em metal. Gesto simbólico do modelo predatório de desenvolvimento seguido pelos governos seguintes – militares ou civis.

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